'Supergirl' aposta em vulnerabilidade para tirar heroína da sombra do Superman: 'Há força no trauma'

Atriz Milly Alcock, diretor Craig Gillespie e a roteirista Ana Nogueira conversaram com o 'Estadão' sobre o filme que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 25

27 jun 2026 - 12h05

Enquanto Superman ganhou diversas versões ao longo das décadas, sua prima Supergirl não obteve o mesmo prestígio. Ganhou um filme nos anos 80, hoje esquecido pelo público, apareceu em um papel coadjuvante em Smallville e, de 2015 a 2021, estrelou uma série de TV. Mas ela sempre aparecia como uma heroína ensolarada, ao estilo do primo mais famoso. Agora, chegou a hora de Kara Zor-El mostrar sua verdadeira personalidade.

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Pelo menos, este é o objetivo de Supergirl, novo filme do universo cinematográfico da DC sob o comando de James Gunn e Peter Safran, que desejam trazer frescor para o gênero desgastado dos super-heróis. Ao contrário do Clark Kent esperançoso de David Corenswet, visto no Superman de 2025, sua prima Kara, vivida por Milly Alcock, carrega a dor de ter visto seu lar destruído e perder todos aqueles que amou.

"Acho que este filme é um exemplo belíssimo do poder que reside na vulnerabilidade e da força que existe no trauma. Então, para mim, essa foi a parte mais empolgante de interpretar Kara: poder mergulhar e explorar seu trauma", diz Milly em entrevista ao Estadão durante visita ao Rio de Janeiro. A atriz, famosa por ter interpretado uma jovem Rhaenyra em A Casa do Dragão, veio ao País neste mês, quando interagiu com fãs brasileiros (incluindo um sósia nacional do cachorro Krypto), conferiu o primeiro jogo da Seleção na Copa do Mundo em um bar e conheceu paisagens famosas da Cidade Maravilhosa.

'História de origem complexa'

Como Clark Kent, Kara também pratica o bem; no entanto, ela está mais interessada em fugir de sua realidade, afogando as mágoas em bebida e circulando por planetas de sol vermelho - um sol que a deixa vulnerável, ao contrário do sol amarelo da Terra, que amplifica seus poderes. Porém, quando essa exposição prejudica seu melhor amigo, o cãozinho Krypto, ela se junta a uma caçada intergaláctica ao vilão Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts, e à jornada de vingança da adolescente Ruthye, vivida por Eve Ridley.

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Milly Alcock e Matthias Schoenaerts em cena de 'Supergirl'
Milly Alcock e Matthias Schoenaerts em cena de 'Supergirl'
Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação / Estadão

A trama do filme é inspirada na HQ Supergirl: Mulher do Amanhã, escrita por Tom King e ilustrada pela artista brasileira Bilquis Evely. O País também está representado na roteirista do longa, Ana Nogueira, filha de brasileiro e nascida nos Estados Unidos. "Eu me senti atraída por essa história de origem complexa. Você não se identifica com socos. O restante de nós não consegue dar um soco desses. Mas você se identifica com a emoção por trás do soco", conta Ana, que segundo rumores também está ajudando a desenvolver roteiros de outros projetos da DC, como Jovens Titãs e Mulher-Maravilha, filmes ainda sem previsão de estreia ou elencos definidos.

Ela trabalhou como atriz em séries como The Vampire Diaries - o que diz ter ajudado no processo de escrita de Supergirl, seu primeiro longa-metragem como roteirista. "Você sabe o que funciona e o que não funciona, e conhece a estrutura emocional de uma história", explica. "Além disso, você aprende a começar pela personagem e como o passado de alguém afeta seu comportamento atual. Essa é uma das primeiras coisas que se observa quando está atuando. O que essa pessoa passou? A próxima coisa que você observa é o que essa pessoa quer. E, para Kara, esses dois aspectos eram muito fortes na história de Tom King."

Entre o drama e a comédia - e longa da sombra do Superman

Perambular entre tons de comédia e drama é uma marca do estilo do diretor de Supergirl, Craig Gillespie, que recentemente vem investindo em histórias de mulheres complexas, como em Eu, Tonya e Cruella. Se o drama está garantido com o passado traumático de Kara e a jornada de amadurecimento de Ruthye, o humor aparece em vislumbres de outros dois personagens bem conhecidos dos quadrinhos - a começar pelo próprio Superman.

Kara (Milly Alcock) com o cão Krypto em cena de 'Supergirl'
Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação / Estadão

Como esperado, o personagem de David Corenswet faz participação em Supergirl, mas os primos heroicos têm um relacionamento complicado. "Existe tanta força em Kara e no jeito que ela é escrita que era quase imediatamente cômico, para mim, cada vez que Superman aparecia", diz o cineasta. "Pois parece que ele sempre está na defensiva nessa dinâmica entre personagens, no jeito que foi escrito, então foi muito divertido de fazer."

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Para Ana, Supergirl é a oportunidade ideal para finalmente tirar Kara da sombra de Clark e posicioná-la como protagonista de sua própria trama. "Uma das partes mais libertadoras foi o fato da história em quadrinhos se passar fora do planeta Terra. Então, pudemos mostrar quem ela realmente é em certas circunstâncias", nota. "Quando o Superman aparece, é muito bom poder interagir com esse personagem que todos conhecemos tão bem. Ele não domina o filme, mas se torna algo que ancora a história."

Um anti-herói familiar

Já a grande novidade fica por conta de Lobo, personagem de Jason Momoa. Após passar sete anos nos cinemas como o herói Aquaman, o astro de Game of Thrones volta ao universo da DC repaginado. De maquiagem pesada, numa motocicleta chamativa e um chicote de ponta afiada, Lobo aparece como agente do caos por ser "um imortal com ego de um deus", como define Kara no filme.

"Fiquei muito feliz que fizesse sentido no roteiro, considerando que, sendo um caçador de recompensas, nesse mundo, os caminhos deles se cruzariam", afirma Gillespie. "E Jason foi a escolha imediata, obviamente. Ele queria fazer isso há 15 anos. Ele tem uma presença enorme, no melhor sentido da palavra. Tinha ideias incríveis. Não tinha medo de experimentar nada. E ver Jason e Milly juntos numa sala, tendo que improvisar e fazer essa dança entre o personagem de cada um e a missão de cada um [...] foi divertido desde o início."

Jason Momoa volta ao universo DC como Lobo em 'Supergirl'
Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação / Estadão

"Ele é o cara mais alto do mundo", brinca Milly, do auge de seu 1,65m, que em cena contrastam com os quase dois metros de Momoa. A presença de Lobo foi uma exigência da alta cúpula da DC, mas Ana Nogueira diz "que não imagina esse filme sem a presença dele", apesar do processo "intimidante e avassalador" de inserir o anti-herói na trama.

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Supergirl é um filme com muitos elementos a serem equilibrados. Tons dramáticos, grandes cidades alienígenas construídas do zero, centenas de figurantes com maquiagens caprichadas e explosões de efeito prático que enchem os olhos dos fãs ansiosos por ação. Mas mesmo com tanta coisa em jogo, havia espaço para improvisos e colaborações no set, revela Milly, destacando o aspecto "íntimo" das filmagens, ao que Gillespie completa: "Queria dar espaço para ela ser corajosa. Parecia um filme independente."

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