Sobrenatural: Agora Entre Nós tenta renovar a desgastada franquia ao focar em Gemma, mãe que traz uma entidade do Além para casa. Dirigido por Jacob Chase, o longa acerta na tensão familiar, no visual e no vilão interpretado por Sam Spruell. Embora peque por sustos previsíveis e subtramas superficiais, o filme se destaca por arriscar novidades e entregar momentos eficientes de terror, garantindo um fôlego bem-vindo a uma saga que parecia exaurida.
Após seis filmes e quase duas décadas de existência, franquias de terror costumam seguir dois caminhos: reinventar-se ou repetir a própria fórmula até a exaustão. Sobrenatural: Agora Entre Nós, dirigido por Jacob Chase e nos cinemas desde quinta, 20, tenta um pouco dos dois - e o resultado, mesmo imperfeito, ainda consegue trazer alguma novidade para filmes que pareciam esgotados.
O filme acompanha Gemma (Amelia Eve), que se muda de volta para a casa onde passou a infância, agora para criar a própria filha. A paz da nova rotina dura pouco: ela descobre que possui a habilidade de atravessar o plano astral - O Além, a dimensão de espíritos e entidades malignas que dá nome à franquia - e, ao retornar, carrega consigo o que existe do outro lado. Some a isso uma invasão de criminosos ao bairro, que transforma o terror sobrenatural em ameaça também física, e o filme já tem material de sobra para sustentar seus pouco mais de 100 minutos.
Entre o gasto e o novo
O acerto mais evidente de Sobrenatural: Agora Entre Nós está na trama geracional. A forma como Gemma lida com o próprio medo enquanto tenta proteger a filha de uma ameaça que ela mesma, sem querer, trouxe para dentro de casa. É nesse eixo que o roteiro encontra as cenas mais eficientes do filme, como a sequência que envolve um cachorro, uma criança e algo escondido no armário - um daqueles raros momentos em que Sobrenatural parece lembrar por que, lá atrás, funcionava tão bem.
Parte desse acerto também está no elenco: Sam Spruell, que interpreta a nova entidade vinda de O Além, consegue construir uma ameaça que foge do estereótipo batido de demônio genérico, e ajuda a manter o ritmo de cenas específicas - como é o caso de uma sequência claustrofóbica em formato de labirinto, ponto alto visual do filme. É nesses momentos, mais do que na trama em si, que Chase mostra que sabe construir tensão, ainda que nem sempre saiba o que fazer com ela depois.
O problema é que, fora desses acertos pontuais, o filme tropeça na mesma armadilha de tantas sequências recentes do gênero: sustos previsíveis, uma estrutura genérica demais para o que promete, e um roteiro que nunca aprofunda o suficiente os próprios temas. O medo como herança entre mães e filhas, por exemplo, aparece mais como pretexto do que como espinha dorsal da história. A subtrama envolvendo os criminosos, em especial, parece existir mais para inflar o terceiro ato do que para dialogar de verdade com o terror sobrenatural que dá nome à franquia.
Vale lembrar, ainda, que Agora Entre Nós chega em um ano especialmente movimentado para o terror da Blumhouse, selo por trás também de Backrooms e Obsessão, ambos lançados em 2026. A comparação não ajuda o novo Sobrenatural: onde os outros dois arriscam ideias mais originais dentro do gênero, a franquia mais antiga da produtora parece, ainda, presa ao próprio passado, tentando equilibrar fan service com alguma reinvenção, sem nunca se comprometer totalmente com nenhum dos dois lados.
Mesmo assim, é difícil não notar que esse é talvez o primeiro Sobrenatural, em algum tempo, a arriscar algo além da fórmula, ainda que a franquia continue distante de rivais mais afiadas, como Invocação do Mal, que também já não está no auge, mas segue mais coesa em como mistura folclore, família e horror. Agora Entre Nós não reinventa a franquia, mas mostra que, entre os armários e as dimensões paralelas, ainda sobra alguma vontade de assombrar.