A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, mirando o deputado Mario Frias e a empresária Karina Ferreira da Gama por suspeitas no uso de emendas para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. A ação apura o envio de R$ 2 milhões de Frias ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina, além de fraudes, contratos simulados e documentos retrodatados envolvendo aliados do parlamentar. A PF identificou um fluxo financeiro circular de R$ 19 milhões entre os alvos e cumpre 49 mandados de busca.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama são alvos da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 10, para investigar a destinação de emendas parlamentares para o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além dos dois, outras 20 pessoas também são alvo da ação, que cumpre 49 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Ceará e no Distrito Federal.
Procuradas, as defesas de Frias e Karina não se manifestaram. O espaço segue aberto.
Quem é Mario Frias?
Frias tem 54 anos e é natural do Rio de Janeiro. Antes de entrar na vida política, ganhou visibilidade com a carreira de ator. No fim dos anos 1990, participou do seriado Malhação, na TV Globo. Em 2006, protagonizou a novela Floribella, na Band.
Entre 2010 e 2013, Frias também apresentou reality shows na Rede TV!. Em 2016, participou da novela A Terra Prometida, na Record. Em 2019, voltou a apresentar um reality show na Rede TV!, mas deixou o programa em 2020 para se dedicar à vida política.
O ator assumiu o cargo de secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro em junho de 2020. Quase dois anos depois, Frias se filiou ao Partido Liberal para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi eleito como deputado federal por São Paulo, com pouco mais de 122 mil votos, e assumiu o mandato em 2023. Atualmente, é candidato a reeleição.
Quem é Karina Ferreira da Gama?
Karina tem 46 anos, é dona da produtora Go UP Entertainment Ltda, que produz "Dark Horse", e fundadora do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
Em junho, o ICB foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo por suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões. A investigação apura suspeitas de fraude na licitação, na execução do contrato e de possível desvio de recursos públicos.
Segundo as autoridades, além do contrato original, a gestão municipal fez aditivos que elevaram para R$ 157,1 milhões o valor dos repasses ao ICB. Desse total, pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos "sem a efetiva prestação do serviço".
Na época, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o processo licitatório "seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade".
A operação
Em 2024, Frias, que assina o roteiro de "Dark Horse", destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB.
A PF investiga contratos firmados pelo ICB e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), também presidida por Karina, com empresas ligadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores parlamentares e ao advogado do deputado. Segundo os investigadores, há suspeitas de que parte desses contratos tenha sido simulada ou contenha irregularidades.
A investigação identificou indícios de que contratos, orçamentos e notas fiscais foram elaborados posteriormente e retrodatados para dar a aparência de legalidade às operações envolvendo emendas parlamentares perante a Controladoria-Geral da União (CGU).
Os investigadores apontam ainda um fluxo financeiro circular entre o parlamentar, as entidades, as empresas contratadas e a produtora. As movimentações somaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.