Quem são Mario Frias e a produtora alvos de operação da PF que investiga emendas do filme Dark Horse

Antes de entrar na política, Frias ganhou visibilidade como ator; Karina é fundadora do Instituto Conhecer Brasil e dona da produtora Go Up. Frias nega irregularidades e diz que vai colaborar com as investigações. Defesa de Karina diz que cliente estava contribuindo com investigações e fala em confiança no devido processo legal

10 set 2026 - 08h01
(atualizado às 21h26)
Resumo
A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, com 49 mandados de busca, contra o deputado Mario Frias e a empresária Karina da Gama. A ação investiga desvios de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Frias a entidades de Karina, suspeitas de contratos simulados e triangulação para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. A apuração aponta fluxo atípico de R$ 19 milhões. O deputado nega irregularidades e vê motivação política, enquanto a defesa da empresária acionou o STF.

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama são alvos da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 10, para investigar a destinação de emendas parlamentares para o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Além dos dois, outras 20 pessoas também são alvo da ação, que cumpre 49 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Ceará e no Distrito Federal.

Frias nega irregularidades e afirma que operação é "cortina de fumaça" (leia mais abaixo). A defesa de Karina diz que cliente estava contribuindo com investigações e fala em confiança no devido processo legal (leia mais abaixo).

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é alvo da Operação Make Up.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é alvo da Operação Make Up.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Quem é Mario Frias?

Frias tem 54 anos e é natural do Rio de Janeiro. Antes de entrar na vida política, ganhou visibilidade com a carreira de ator. No fim dos anos 1990, participou do seriado Malhação, na TV Globo. Em 2006, protagonizou a novela Floribella, na Band.

Entre 2010 e 2013, Frias também apresentou reality shows na Rede TV!. Em 2016, participou da novela A Terra Prometida, na Record. Em 2019, voltou a apresentar um reality show na Rede TV!, mas deixou o programa em 2020 para se dedicar à vida política.

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O ator assumiu o cargo de secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro em junho de 2020. Quase dois anos depois, Frias se filiou ao Partido Liberal para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi eleito como deputado federal por São Paulo, com pouco mais de 122 mil votos, e assumiu o mandato em 2023. Atualmente, é candidato à reeleição.

Karina Ferreira da Gama é dona da produtora Go UP e fundadora do ICB.
Foto: Reprodução/YouTube / Estadão

Quem é Karina Ferreira da Gama?

Karina tem 46 anos, é dona da produtora Go UP Entertainment Ltda, que produz "Dark Horse", e fundadora do Instituto Conhecer Brasil (ICB).

Em junho, o ICB foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo por suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, para a instalação de pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda. A investigação apura suspeitas de fraude na licitação, na execução do contrato e de possível desvio de recursos públicos.

Segundo as autoridades, além do contrato original, a gestão municipal fez aditivos que elevaram para R$ 157,1 milhões o valor dos repasses ao ICB. Desse total, pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos "sem a efetiva prestação do serviço".

Na época, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o processo licitatório "seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade".

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A Polícia Civil requisitou ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) a análise das movimentações financeiras de Karina, do ICB e da Go Up para verificar o caminho do dinheiro recebido pelo ICB e pela empresário.

A operação

Em 2024, Frias, que assina o roteiro de "Dark Horse", destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB.

A PF investiga contratos firmados pelo ICB e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), também presidida por Karina, com empresas ligadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores parlamentares e ao advogado do deputado. Segundo os investigadores, há suspeitas de que parte desses contratos tenha sido simulada ou contenha irregularidades.

A investigação identificou indícios de que contratos, orçamentos e notas fiscais foram elaborados posteriormente e retrodatados para dar a aparência de legalidade às operações envolvendo emendas parlamentares perante a Controladoria-Geral da União (CGU).

Os investigadores apontam ainda um fluxo financeiro circular entre o parlamentar, as entidades, as empresas contratadas e a produtora. As movimentações somaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.

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"Dark Horse" teve mais de 90% de seu orçamento bancado com recursos do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela PF em um dos celulares do banqueiro.

Manifestação de Mario Frias

Hoje de manhã, a PF cumpriu um mandado de busca na minha residência, levaram celular, documentos, computador... Ninguém foi preso, é claro, não existe mandado de prisão contra mim nem contra ninguém. A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar criança da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente. Emenda pública, registrada, transparente que qualquer um pode consultar no portal da transparência.

O que ficou fora das manchetes? Primeiro, a minha defesa pede acesso ao inquérito há meses. Como pode se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que sua porta é arrombada. Segundo, emenda parlamentar não é dinheiro que passa pela mão do deputado. Ela vai do Tesouro para o órgão executor, que aprova um plano de trabalho previamente e fiscaliza a prestação de contas. Se há alguma nota que a CGU quer ver isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição. Cortina de fumaça.

Vou colaborar com tudo o que for pedido, vou entregar cada documento e vou seguir na rua mantendo a minha agenda, representando São Paulo e o meu presidente Flávio Bolsonaro. A paz eu já tenho. A verdade, o tempo traz.

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Veja a manifestação completa de Mario Frias no vídeo abaixo:

Manifestação de Karina Gama

Tendo em vista a operação da Polícia Federal na data de hoje, no exercício da advocacia em favor da Sra. Karina Ferreira da Gama, ajuizamos nesta data, reclamação constitucional em jurisdição criminal perante a Presidência do STF.

A medida não discute o mérito da investigação, sendo certo que, a cliente estava contribuindo espontânea e voluntariamente, tanto que, atendeu, na última sexta-feira, à solicitação da Polícia Federal e entregou mais de 20 mil laudas de documentos, o que prova sua boa-fé e lealdade processual.

Entretanto, nossa defesa técnica insiste em assegurar a autoridade das decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural.

Acreditamos em nossas Instituições e confia-se na Suprema Corte para a plena garantia do devido processo legal.

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