Flávio diz que tentou falar com Vorcaro nos 4 dias que antecederam prisão para tratar de Dark Horse

Estadão revelou que senador enviou mensagens e fez ligações ao banqueiro nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro de 2025; Vorcaro foi preso no dia 17

25 set 2026 - 14h05
Resumo
O senador Flávio Bolsonaro afirmou que tentou contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nos quatro dias anteriores à sua prisão apenas para tratar do financiamento do filme Dark Horse, em homenagem a Jair Bolsonaro. Ele também defendeu a legalidade de um voo que fez com o advogado Willer Tomaz, alvo recente da PF, alegando relação de amizade e acusando o governo Lula de aparelhar as instituições para perseguir seus aliados políticos.

RIO DE JANEIRO E BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 25, que as tentativas de falar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro de 2025, antes da prisão do banqueiro, que aconteceu no dia 17, se deram para falar sobre o filme Dark Horse, em homenagem a Jair Bolsonaro. As mensagens de Flávio Bolsonaro e ligações do senador que não foram atendidas por Vorcaro foram reveladas pelo Estadão nesta quinta-feira, 24.

Publicidade

"Queria falar com Vorcaro mais do mesmo, que é do filme [Dark Horse]", argumentou Flávio Bolsonaro ao ser questionado, fazendo referência ao financiamento da produção, que contou com recursos do banqueiro.

As informações foram extraídas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, apreendido na sua primeira prisão. O Estadão teve acesso a detalhes inéditos da conversa entre os dois. As quatro tentativas de contato com o banqueiro ocorreram uma a cada dia anterior à prisão dele.

Flávio Bolsonaro tentou ligar para Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a prisão do banqueiro e enviou mensagens a ele
Flávio Bolsonaro tentou ligar para Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a prisão do banqueiro e enviou mensagens a ele
Foto: Divulgação/Banco Master e Wilton Junior/Estadão / Estadão

O candidato também voltou a dizer que a viagem que fez da Flórida a Brasília, em 19 de janeiro de 2025, não teve nada de irregular e que a situação estaria sendo usada para tentar "criminalizar relações pessoais". Na agenda no Rio de Janeiro, ele reafirmou que a aeronave pertencia ao advogado Willer Tomaz, a quem descreveu como um amigo próximo e "respeitadíssimo", e disse que ele estaria sendo perseguido pelo "aparelhamento do Estado montado por Lula".

"Ele está sendo perseguido, como várias pessoas estão sendo perseguidas, por terem proximidade comigo. Há um aparelhamento de toda a máquina do Estado feito por Lula. É Supremo [Tribunal Federal] aparelhado, é Ministério Público aparelhado, é Polícia Federal aparelhada, até Defensoria Pública aparelhada. Todo mundo mobilizado para perseguir qualquer pessoa no meu entorno", disse a jornalistas ao participar da cerimônia do curso de formação de praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Publicidade

Flávio disse que não foi a primeira vez que viajou com Willer e ressaltou a relação de convivência entre as famílias - esposas e filhos - para reforçar que se trata de uma amizade antiga, e não de algo suspeito.

"Não tem absolutamente nada de errado e não dá para querer criminalizar a amizade agora. Eu tenho certeza que daqui até o dia da eleição vocês vão ver muitas e muitas mentiras e fake news produzidas pelo PT", sustentou.

"Uma viagem em família, a convite dele. Não tem absolutamente nada a ver com Vorcaro. Se estão partindo da premissa de que ter cota de avião é ser dono de avião, então, viajei com dono do avião, que é Willer. Não tem nada a ver com Vorcaro", frisou o candidato ao Planalto.

Em agosto deste ano, Willer Tomaz foi alvo de uma das fases da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal que investiga o caso das fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Publicidade

A PF solicitou a ação contra ele apontando indícios de que o advogado atuava como "hub financeiro, patrimonial e logístico" de políticos, atuando para lavagem de dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT). Segundo os investigadores, Willer Tomaz enviou R$ 11 milhões à mulher do senador pedetista e comprou uma casa para ele. Na ocasião, o advogado rechaçou possuir qualquer vínculo com o esquema de fraudes, enfatizou que não é investigado e destacou que a mulher de Weverton Rocha atua há vários anos como associada do escritório de advocacia, sendo esta a razão dos repasses.

O Estadão já mostrou também que Willer Tomaz é conhecido como "camaleão político", tendo construído relações tanto com governistas como oposicionistas. Ele conseguiu ampliar negócios de sua emissora de TV no Maranhão graças a uma mudança de regra implementada pelo Ministério das Comunicações, pasta controlada pelo Centrão. A emissora de Tomaz se classificou para retransmitir uma TV de São Luís (MA) para outros 16 Estados. Na época, o ministério disse que seguiu critérios técnicos, enquanto o empresário afirmou que não participava da operação da emissora e não influenciou regra.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações