E se Corra! fosse um filme bizarramente violento? E se John Wick mostrasse Keanu Reeves lutando contra pessoas imortais? E se misturassem Kill Bill com Casamento Sangrento? Parece que são essas as perguntas e ideias que norteiam o filme Eles Vão Te Matar, inusitada surpresa dirigida pelo russo Kirill Sokolov e que estreia nesta quinta, 26, nos cinemas.
O longa-metragem tem uma história simples, que vai direto ao ponto: uma jovem (Zazie Beetz, no melhor papel da carreira) aceita o emprego em uma prédio de luxo no coração de Nova York. Comandado por uma zeladora esquisita (Patricia Arquette) e lar de ricaços, porém, o edifício se revela como uma espécie de bunker de milionários imortais - literalmente - que querem matar a novata a qualquer custo. Vira um jogo de gato e rato.
Obviamente, os dois lados da equação possuem interesses em jogo. Ela quer resgatar uma pessoa importante; eles, os ricaços imortais, simplesmente precisam fazer isso para continuar vivos. É uma dinâmica que, como já apontado, mistura de maneira inteligente filmes que fizeram e que fazem sucesso, como Corra!, Kill Bill, Casamento Sangrento e John Wick. Aliás, as referências não ficam apenas nas ideias ou na estética, entrando até no nome das personagens -a protagonista, por exemplo, se chama Asia Reaves.
Reciclagem original
É impossível evitar que tudo ali em Eles Vão Te Matar não soe um tanto quanto reciclado em um primeiro momento, principalmente em tempos em que tantos filmes tentam perseguir sucessos como John Wick e Corra!. Nos primeiros 10 minutos, a impressão é de que tudo ali será genérico. No entanto, Sokolov, tratado por muitos como o "Tarantino russo" após filmes divertidíssimos como Quem Vai Ficar com Masha? e Morra!, mostra sua criatividade e faz com que tudo ganhe um ar referencial assumido e, sobretudo, bizarro.
Isso se divide em momentos que vão desde um olho rastejando - na cena mais marcante do filme - até uma cabeça pequena renascendo no corpo de um dos imortais. São decisões ousadas, pontuadas por uma trilha sonora marcante e bem ritmada, que vão dando identidade ao filme, principalmente em um momento em que os filmes de ação soam cada vez menos arriscados. Só ver Casamento Sangrento 2, por exemplo, que precisou buscar inspiração não assumida em John Wick para ter o que contar na sequência.
O longa-metragem de Sokolov, assim, é um inusitado e divertido filme de ação que aceita a mistura de sua essência, abraça o bizarro e assim, quando o público menos espera, se torna um sopro de originalidade dentro desse gênero tão maltratado nos últimos anos. É, por enquanto, uma das grandes surpresas do ano: dá para se divertir, se assustar e até se encantar com o que está na tela. Fica a torcida para mais histórias de Asia Reaves - ou de qualquer outro bom personagem que pode surgir desse mundo de ricaços imortais.