Edição comemorativa de 'Jantar Secreto', o novo 'A Estranha na Cama' e mais em papo com Raphael Montes

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, autor comenta a repercussão de sua obra, a chegada de Jantar Secreto ao mercado internacional e o novo livro A Estranha na Cama

24 jul 2026 - 11h52

Raphael Montes vive um dos momentos mais movimentados da carreira enquanto se prepara para lançar A Estranha na Cama, seu aguardado nono romance e o primeiro thriller erótico de sua carreira, e celebra a chegada de Jantar Secreto ao mercado internacional junto do lançamento de uma edição comemorativa do livro.

Edição comemorativa de 'Jantar Secreto', o novo 'A Estranha na Cama' e mais em papo com Raphael Montes
Edição comemorativa de 'Jantar Secreto', o novo 'A Estranha na Cama' e mais em papo com Raphael Montes
Foto: Julia Mataruna / Rolling Stone Brasil

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o autor comentou a repercussão de sua obra, refletiu sobre as críticas que já recebeu, além de falar sobre o impacto das adaptações para o streaming na ampliação de seu público, entre outros diversos temas. Confira o papo completo a seguir:

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O sucesso de Jantar Secreto e a chegada ao mercado internacional

Fenômeno editorial que ajudou a consolidar Raphael Montes como o principal nome do suspense brasileiro contemporâneo, Jantar Secreto completa dez anos em 2026 com uma edição de colecionador no Brasil, com projeto gráfico especial e um capítulo inédito, ao mesmo tempo em que alcança o maior lançamento internacional da carreira do autor. Para saber mais, .

Ao falar sobre a novidade,

Raphael Montes

destacou a trajetória incomum do romance, publicado originalmente em 2016 e que, anos depois, continua figurando entre os livros mais vendidos do país. "

É uma história interessante porque foi um livro que cresceu no boca a boca ao longo dos anos. Foi publicado em 2016 e realmente explodiu durante a pandemia. Nos últimos dois anos, voltou à lista dos mais vendidos. Acho isso muito curioso: é um livro lançado há quase dez anos e que, em 2024 e 2025, continua entre os mais vendidos

."

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Na avaliação do escritor, esse desempenho não pode ser atribuído apenas ao sucesso comercial da obra. "Esse crescimento aconteceu graças aos leitores, mas também aos bibliotecários, livreiros, influenciadores literários e jornalistas que foram conhecendo a história e indicando o livro. É uma obra que, quando você termina de ler, dá vontade de conversar sobre ela."

Montes afirmou ainda que nunca enxergou popularidade e qualidade como conceitos incompatíveis. Segundo ele, sempre buscou escrever histórias capazes de alcançar um público amplo. "Eu sou um autor que gosta de ser lido. Ainda existe uma ideia de que ser popular significa ser ruim, mas eu não acredito nisso. Os autores que eu mais admiro são populares. Sempre me interessou alcançar o maior número possível de leitores."

O autor também explicou que a expansão internacional de sua obra faz parte de um projeto desenvolvido nos últimos anos em parceria com sua agência literária. "Hoje trabalho com a Susanna Lea Associates, uma agência literária americana e francesa, e, nos últimos anos, desenvolvemos um projeto de internacionalização da minha obra. Jantar Secreto será publicado este ano nos Estados Unidos por uma grande editora, além do Reino Unido. Depois disso, também chegará a países como Japão, China, Espanha, Tailândia, Egito, Itália e vários outros."

Sobre a edição em inglês, Montes disse que participou diretamente do processo de tradução ao lado da tradutora Zoe Perry. Ao comentar a recepção da obra fora do Brasil, o escritor acredita que os temas centrais do romance facilitam o diálogo com leitores de diferentes países. "[Jantar Secreto] Fala sobre ambição, endividamento, desigualdade social e, simbolicamente, sobre ricos comendo pobres. São assuntos que fazem sentido em qualquer lugar do mundo."

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Apesar dessa dimensão universal, Montes afirmou que fez questão de preservar todos os elementos que identificam o romance como uma obra brasileira. "Tenho muito orgulho de que seja um livro brasileiro chegando ao mercado internacional. Nunca tentei pasteurizar o texto para torná-lo mais palatável ao leitor estrangeiro. Pelo contrário: mantivemos a culinária brasileira, as referências culturais, a música brasileira e diversos elementos da nossa identidade. Fiz questão de preservar tudo isso porque considero importante que o livro continue sendo, antes de tudo, um romance brasileiro."

O capítulo inédito da edição comemorativa de Jantar Secreto

Ao falar sobre a principal novidade da edição comemorativa de Jantar Secreto, Raphael Montes explicou que a publicação faz parte de um projeto de revisitar seus livros em momentos marcantes da carreira. A iniciativa começou no ano passado, com Dias Perfeitos, e agora se estende ao romance que completa uma década de lançamento. "A ideia é que, nos próximos anos, todos os meus livros ganhem edições especiais em momentos oportunos."

Segundo o autor, desde o início havia a preocupação de que a nova edição oferecesse algo além de um projeto gráfico diferenciado. "Não basta ter um acabamento bonito. No caso de Jantar Secreto, ela tem corte pintado, luva, um projeto gráfico muito bonito e vários detalhes de acabamento. Mas era importante que o conteúdo também trouxesse alguma novidade."

Foi a partir dessa proposta que Montes decidiu incluir um material inédito para os leitores. "Além do romance, escrevi uma carta contando como surgiu a história, como foi o processo de criação e tudo o que aconteceu nesses dez anos da minha carreira desde o lançamento do livro."

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A ideia de escrever um capítulo ambientado após o desfecho da história, no entanto, não partiu dele. O escritor contou que a sugestão veio da editora. "A editora achava que ainda faltava alguma coisa e me provocou a escrever um capítulo extra, que acontecesse depois do final da história. A princípio, eu recusei. Nunca gostei da ideia de escrever continuações dos meus livros."

Montes disse que mudou de ideia durante um período de férias na Bahia, quando uma possibilidade para a narrativa surgiu de forma inesperada. "Graças a Deus, a Bahia tem o axé. Eu estava na praia quando me veio uma ideia. Pensei: 'E se eu fizer isso?'. Achei que aquela ideia realmente funcionava."

A partir dali, começou a desenvolver o texto sem comentar o projeto com ninguém. Para ele, o resultado foi além de um simples conteúdo extra para a edição especial. "O mais legal é que acabou surgindo um capítulo do qual tenho muito orgulho. Eu só aceitei escrevê-lo porque encontrei uma ideia realmente boa. Tenho certeza de que os leitores vão pirar com o que acontece."

O autor também revelou que reencontrar a voz do protagonista Dante foi uma preocupação antes de iniciar a escrita, mas que o receio desapareceu rapidamente. "Curiosamente, não foi nada difícil. Sentei para escrever e, em cinco minutos, ela estava de volta. Descobri que talvez a gente nunca perca os personagens que cria. Eles ficam dentro da gente. Basta voltar até eles de vez em quando."

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As comparações com Jantar Sinistro, de Freida McFadden

Há quem não saiba, mas existem rumores e comparações feitas por leitores entre Jantar Secreto e Jantar Sinistro, livro da autora Freida McFadden (A Empregada). Raphael Montes disse que tem acompanhado os comentários nas redes sociais, mas evitou fazer qualquer associação entre as duas obras. "Primeiro, eu não li o livro, então não posso dizer absolutamente nada sobre ele."

Montes também afirmou que evita essas polêmicas por considerar que semelhanças apontadas pelo público nem sempre significam que uma obra tenha servido de inspiração para outra. "Sou muito cuidadoso com esse tipo de comparação. Eu evito apontar o dedo, porque não é assim que funciona."

Na avaliação do autor, tudo indica que a coincidência entre os títulos aconteceu de forma natural, sem qualquer relação entre os projetos. "A Freida McFadden é uma autora consolidada, que publica muitos livros. Honestamente, acredito que seja apenas uma coincidência."

Montes lembrou ainda que a edição internacional de Jantar Secreto só chegará agora ao mercado de língua inglesa, enquanto o livro de McFadden já havia sido escrito anteriormente. Por fim, o escritor disse que, segundo relatos de leitores que conhecem os dois títulos, as histórias seguem caminhos completamente distintos. "Então não vejo motivo para especulação."

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A Estranha na Cama e a Bienal do Livro

Em setembro, Raphael Montes chegará à Bienal do Livro para apresentar A Estranha na Cama, seu aguardado nono romance e o primeiro thriller erótico de sua carreira. Ao comentar o lançamento, o autor afirmou que o novo livro representa a realização de uma ideia amadurecida ao longo de muitos anos, já que, antes mesmo de chegar às livrarias, a obra já teve adaptação confirmada pela Netflix.

"Estou muito animado com A Estranha na Cama. Tive a oportunidade de desenvolvê-la de uma maneira inédita: escrevendo o livro e, ao mesmo tempo, trabalhando na adaptação para um filme da Netflix."

O autor revelou que a adaptação reunirá nomes conhecidos do audiovisual brasileiro: "O filme será estrelado por Paolla Oliveira (Herança de Narcisa), Bella Campos (Cinco Tipos de Medo) e Emílio Dantas (Ângela Diniz: Assassinada e Condenada), com direção de Esmir Filho (Homem com H), que tem sido um parceiro incrível durante todo esse processo."

Sobre a proposta da obra, Montes explicou que o romance nasce de sua admiração pelos thrillers eróticos que marcaram os anos 1990:

"Sempre tive vontade de fazer um thriller erótico brasileiro. A inspiração vem daqueles grandes thrillers eróticos dos anos 1990, como Instinto Selvagem, Atração Fatal, Corpos Ardentes e De Olhos Bem Fechados. Mas a proposta agora é fazer uma releitura para o século XXI, trazendo discussões atuais sobre o papel da mulher e o corpo feminino."

Segundo o escritor, a intenção foi preservar o gênero que sempre admirou, mas repensando a forma como determinados temas eram tratados nessas produções. "Aqueles filmes exploravam essas questões de uma forma bastante misógina. O meu objetivo foi justamente revisitar esse gênero sob uma perspectiva contemporânea. É um gênero que adoro e que sempre quis escrever."

Montes também acredita que o novo livro pode dialogar com um público mais amplo do que seus trabalhos anteriores, inclusive com leitores que costumam evitar histórias mais violentas. "Acredito que este seja um livro mais aberto, capaz de alcançar um público ainda maior. Acho que leitores mais velhos vão gostar e que pessoas que têm receio dos meus livros mais pesados talvez encontrem aqui uma boa porta de entrada. É, de propósito, um Raphael Montes mais abrangente e menos assustador."

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Ao falar sobre a escolha da Bienal do Livro de São Paulo para lançar a obra, o autor associou o momento à transformação do espaço ocupado pelos escritores brasileiros no mercado editorial ao longo da última década. "Poder lançar esse livro na Bienal de São Paulo me deixa muito feliz. Quando comecei minha carreira, há mais de dez anos, lembro que as principais mesas das bienais eram ocupadas por autores estrangeiros. Os escritores brasileiros ficavam em espaços menores, como o Café Literário. Hoje isso mudou completamente."

Na avaliação de Montes, esse cenário mudou principalmente por causa da aproximação entre influenciadores literários, escritores e leitores. "Os autores que mais vendem e que arrastam multidões nas bienais são autores brasileiros. Acho que isso acontece, primeiro, graças às redes sociais e aos influenciadores literários, que passaram a divulgar muito mais a literatura brasileira contemporânea."

O escritor destacou que faz questão de participar desses eventos e citou outros autores nacionais que também vêm reunindo grandes públicos. "Eu viajo o Brasil inteiro participando dessas feiras porque gosto muito de encontrar leitores. Isso fez com que mais pessoas descobrissem autores nacionais. Não apenas eu, mas também Carla Madeira, Socorro Acioli, Thalita Rebouças, Itamar Vieira Junior e tantos outros conseguem reunir multidões."

Montes relembrou o desempenho na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em 2025, e disse que retornar a um grande evento literário tem um significado especial. "No ano passado, fui o autor mais vendido da Bienal do Rio de Janeiro. Isso é muito legal. Por isso, lançar esse livro na Bienal de São Paulo, cercado pelos leitores, tem um significado enorme para mim. É um evento feito para leitores, e isso me interessa e me alegra muito."

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Os desafios de continuar escrevendo

Questionado sobre o que ainda o desafia depois de mais de uma década de carreira e diversos romances publicados, Raphael Montes afirmou que a sensação de recomeço acompanha cada novo projeto. "Toda vez que termino um livro penso: 'Esse foi muito difícil, mas o próximo será fácil porque agora já aprendi'. E nunca é assim. Sempre aparece um desafio completamente novo."

Como exemplo, o escritor citou A Estranha na Cama, obra em que precisou lidar com um elemento inédito em sua trajetória. "É um thriller de suspense, então existe toda a construção da tensão, mas também há cenas de sexo. Eu nunca tinha escrito cenas de sexo.Montes explicou que sua principal preocupação era encontrar um tom que preservasse o caráter erótico da narrativa sem recorrer ao excesso.

"O desafio era descobrir como escrevê-las sem ser vulgar e, ao mesmo tempo, sem perder o erotismo. Como encontrar esse equilíbrio? Li alguns romances eróticos e, muitas vezes, achei que eles ultrapassavam um limite e chegavam a um grafismo que, pessoalmente, considero vulgar e que não me interessa. Encontrar esse meio-termo foi um grande desafio."

Para o autor, essa busca por novos desafios é justamente o que orienta sua produção literária. Em vez de repetir fórmulas, ele prefere experimentar estruturas e propostas diferentes a cada livro. "Eu evito entrar em uma zona de conforto. Sempre tento escrever algo que ainda não fiz."

Essa mudança constante, segundo Montes, também faz parte da relação que estabelece com seus leitores, já que evita repetir temas ou estilos de obras anteriores. "Já tenho ideias para os próximos livros e todos são bastante diferentes entre si. Você está lendo Jantar Secreto. Se gostar dele, ótimo. Mas precisa saber que os outros livros não têm nada a ver com ele. Cada obra segue um caminho completamente diferente. Tenho essa necessidade de mudar a cada livro. É uma característica minha. Explorei uma forma de escrever e depois quero experimentar outra."

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O escritor afirmou que essa disposição para sair da zona de conforto também se estende ao trabalho no audiovisual. "Fiz Bom Dia, Verônica, uma série da Netflix com três temporadas, que até hoje é uma das produções brasileiras mais lembradas da plataforma. Depois fui convidado para escrever Beleza Fatal, a primeira novela produzida para o streaming."

Segundo ele, o formato exigiu uma lógica de produção diferente daquela tradicionalmente adotada pelas novelas da televisão aberta. "Era outro desafio: como fazer uma novela com menos capítulos e totalmente escrita antes da estreia, sem a possibilidade de acompanhar a reação do público para ampliar um personagem ou diminuir outro, como acontece na televisão aberta?"

Ao resumir sua postura diante da carreira, Montes afirmou que continua motivado justamente pela oportunidade de enfrentar experiências inéditas. "Continuo sendo alguém que gosta de aceitar desafios. Fazer apenas aquilo que já sei fazer não me interessa."

A ampliação do público

Bom Dia, Verônica e Dias Perfeitos são duas das adaptações da obra de Raphael Montes que ajudaram a torná-lo ainda mais reconhecido nacionalmente. Ao avaliar o impacto das adaptações para o streaming e a televisão, ele afirmou que o principal efeito foi a ampliação do alcance de seu trabalho, tanto em relação ao perfil dos leitores quanto à diversidade de públicos que passaram a acompanhar sua produção.

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O escritor relembrou que, no início da carreira, enfrentava resistência por conta da idade e também por escrever literatura brasileira. "Publiquei meu primeiro livro aos 22 anos e lembro de ouvir muita gente dizer: 'Não quero ler porque ele é muito novo'. Também havia quem dissesse: 'Não quero ler porque é um autor brasileiro'."

Hoje, Montes afirma perceber um público mais diverso. "Ainda tenho um público muito jovem — a maior parte dos meus leitores é formada por mulheres entre 16 e 25 anos —, mas cada vez mais pessoas acima dos 25, dos 30, dos 35 anos têm descoberto meus livros. Acho que A Estranha na Cama também vai contribuir para isso."

Segundo o autor, essa expansão também pode ser percebida fora do universo tradicional dos eventos literários, em situações cotidianas que mostram como seus livros vêm alcançando pessoas de diferentes contextos sociais. "É muito legal chegar a um hotel e encontrar a recepcionista lendo um dos meus livros. Ou entrar em um restaurante e descobrir que vários garçons participaram de um clube de leitura e já leram minhas histórias."

Para Montes, esse contato com leitores de diferentes perfis reforça uma convicção que sempre teve sobre o papel da literatura. "Isso me deixa muito feliz e muito orgulhoso, porque ajuda a desmistificar a ideia de que literatura é para poucos ou pertence a uma elite. Essa visão sempre me incomodou."

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"Embora ainda existam pessoas que defendam uma literatura elitizada e excessivamente intelectualizada, eu acredito exatamente no contrário: literatura tem que ser para todo mundo."

Livros são como filhos: O lugar de cada um na carreira

Ao ser perguntado se enxerga seus livros como filhos, Raphael Montes respondeu de forma afirmativa. "Acho que é. Acho que é, sim." Para o autor, a comparação com filhos faz sentido: "Primeiro existe todo o período de gestação, que é muito parecido. Depois, quando o livro é publicado, ele vai para o mundo e passa a ter vida própria."

Na sequência, ao comentar se teria um favorito, o escritor disse que prefere enxergar cada obra por aquilo que ela representou em sua trajetória, já que cada uma lhe proporcionou experiências e conquistas diferentes.

"Cada um traz um tipo diferente de orgulho. Tem um que te orgulha por uma razão, outro por motivos completamente diferentes. Cada livro meu me trouxe alegrias distintas."

Montes afirmou que o percurso de cada título também foi diferente, tanto durante o processo de escrita quanto na forma como encontrou seus leitores. "Há livros que ficaram melhores do que eu imaginava quando comecei a escrevê-los. Outros ficaram piores do que eu esperava. Alguns chegaram a públicos que eu nunca imaginei alcançar. Outros eu gostaria que tivessem encontrado mais leitores e isso acabou não acontecendo."

Embora evite escolher um favorito, Montes reconhece que alguns livros ocupam lugares especiais por motivos distintos. "Agora, se eu pensar naquele filho que mais se parece com o pai, acho que esse é Jantar Secreto. É um livro de suspense, mas também tem um humor ácido e uma ironia que fazem parte da minha personalidade."

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Dias Perfeitos, segundo ele, representa um marco em sua carreira: "Foi o livro mais publicado internacionalmente, pelo menos até agora, e foi ele que me permitiu viver exclusivamente da literatura. Como eu não teria um carinho enorme por esse livro?"

O escritor também destacou que cada obra acabou encontrando um público específico, ampliando seu alcance entre diferentes perfis de leitores. "O Vilarejo me trouxe um público leitor de terror que ainda não conhecia o meu trabalho. Mulher no Escuro aproximou um público muito jovem. Uma Família Feliz conquistou leitores mais velhos, muitas mães. Cada livro acaba chegando a um lugar diferente e conquistando pessoas diferentes."

A reação às críticas

Se por um lado Raphael Montes é muito elogiado e possui uma legião de fãs pelo país, por outro, o autor também já recebeu desde avaliações negativas sobre seus livros até acusações de misoginia e comentários sobre a violência presente em suas histórias. Com tranquilidade, ele afirmou que encara a recepção do público como uma consequência natural de quem trabalha com ficção. Para ele, diferentes interpretações fazem parte do processo criativo.

"A arte tem uma delícia: ela nunca é unânime. Não existe verdade absoluta. Não existe a certeza nem do gênio, nem da fraude. É realmente muito subjetivo como uma obra bate nas pessoas e o que elas enxergam a partir dela."

O autor afirmou que nunca teve dificuldade em lidar com avaliações negativas e disse entender que publicar uma obra significa aceitar que ela estará sujeita a julgamentos diversos. "Eu confesso que lido muito bem com críticas. Acho que faz parte do processo. O autor, o contador de histórias, se expõe na medida em que coloca essas histórias no mundo."

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Ao falar sobre esse aprendizado, Montes relembrou um episódio ocorrido após o lançamento de Dias Perfeitos, em 2014. Depois da publicação de uma resenha negativa em um jornal, recebeu uma ligação da autora de novelas Glória Perez, cuja reação o surpreendeu. "Ela falou: 'Primeiro, estão falando mal porque você começou a incomodar. Isso é bom, é sinal de sucesso.'"

Segundo o escritor, foi nessa conversa que ouviu um conselho que passou a levar para a carreira: manter distância tanto dos elogios excessivos quanto das críticas mais duras. "Ela disse que teria gente dizendo que eu era um gênio, que nunca errava, e gente dizendo que eu era uma fraude, que era misógino, que tinha dado sorte e que tudo era marketing. E completou: 'Não acredite em nenhum dos dois. Faça o seu trabalho.'"

Montes afirmou que essa é a postura que procura adotar até hoje, concentrando seus esforços nas histórias que deseja contar, independentemente da repercussão. "Felizmente, elas [as histórias] encontram um público que gosta dos meus livros, das minhas séries e dos meus filmes. Também entendo e respeito quem não gosta. Acho que isso faz parte."

Acusações de misoginia e a separação entre autor e personagem

Ao abordar especificamente as críticas que o associam ao comportamento de alguns de seus personagens, o autor disse considerar esse tipo de interpretação um equívoco. Como exemplo, citou Dias Perfeitos, cuja narrativa acompanha um psicopata responsável pelo sequestro de uma mulher.

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Para Montes, o fato de retratar violência ou misoginia em suas histórias não significa defender essas práticas. Ele ressalta que suas personagens femininas são construídas com profundidade e que a ficção não deve ser confundida com a visão de mundo de quem a escreve. "As minhas personagens femininas são complexas. Elas não são rasas. Ainda que eu trate de misoginia nos livros, isso não significa que eu compartilhe dessa visão."

Na avaliação do escritor, parte das críticas nasce justamente da dificuldade de separar autor e personagem. "Às vezes, existe uma aproximação equivocada entre o personagem e o autor. Isso simplesmente não procede."

Quais adaptações podem acontecer?

Os fãs e leitores de Raphael Montes sempre pensam: qual será a próxima adaptação de um livro dele? Questionado sobre qual de seus livros gostaria de ver adaptado, Montes foi direto: "Eu gostaria que todos fossem adaptados." Entre os títulos que ainda aguardam uma versão para o cinema ou a televisão, o escritor destacou que Jantar Secreto é, de longe, o mais solicitado pelos leitores. "Porque hoje ele é o meu maior sucesso."

Apesar da expectativa em torno do romance, Montes evitou antecipar qualquer novidade e desconversou. "Existem conversas...". O autor, no entanto, se mostra positivo: "Acredito que, a longo prazo, é bastante provável que todos os meus livros acabem ganhando algum tipo de adaptação."

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Para Montes, esse movimento faz sentido porque amplia o alcance de suas histórias. "Isso me interessa muito porque vai ao encontro do que eu sempre busquei: alcançar mais leitores e mais espectadores. O audiovisual consegue chegar a um público ainda maior do que a literatura, e isso é algo que considero muito importante."

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