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Desenhos de Tarsila do Amaral ganham exposição em Itu e permitem ver lado lúdico da artista

Mostra no Museu FAMA apresenta 45 ilustrações da modernista, incluindo esboços de obras famosas e estudo pouco conhecido sobre figuras do folclore brasileiro

11 out 2026 - 06h11
Resumo
O Museu FAMA, em Itu (SP), apresenta a mostra "Tarsila: Onde Nascem as Imagens", que reúne 45 desenhos raros de Tarsila do Amaral adquiridos pelo colecionador Marcos Amaro. A exposição revela o processo criativo e o lado lúdico da modernista por meio de esboços de obras consagradas como "A Negra" e "A Cuca", além de estudos inéditos, registros históricos e figuras do folclore nacional, oferecendo uma visão intimista da artista antes de suas telas finais.

ITU - Toda grande tela nasce do estudo. Muitas vezes, o esboço pode revelar lados nunca percebidos ou pouco explorados de um artista. Esse é o argumento principal da exposição Tarsila: Onde Nascem as Imagens, no Museu FAMA (Fábrica de Arte Marcos Amaro), em Itu (SP), que apresenta 45 desenhos raros de Tarsila do Amaral (1886 - 1973).

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Os trabalhos integram uma coleção ainda maior, de 204 folhas (algumas com desenhos na frente e no verso), adquirida em 2017 pelo fundador do museu e curador da exposição, Marcos Amaro. Empresário e artista plástico, filho do Comandante Rolim Amaro, o fundador da antiga TAM Linhas Aéreas (atual Latam), ele adquiriu a coleção após ela passar praticamente cinco décadas guardada na coleção pessoal do empresário Oscar Fakhoury.

Tarsila do Amaral. 'Paisagem com Bicho Antropofágico II', 1929.
Tarsila do Amaral. 'Paisagem com Bicho Antropofágico II', 1929.
Foto: Museu FAMA/Divulgação / Estadão

Após a morte de Fakhoury, a viúva do empresário encontrou os desenhos fechados em um armário e mostrou-se disposta a vender a coleção completa. Na época, a aquisição teve a intermediação de Aracy Amaral, crítica de arte que morreu no último dia 15 de setembro. Ela, que era filha de um primo do pai de Tarsila e especialista na obra da artista, foi responsável pela catalogação dos desenhos, cuja única exposição havia sido em 1969 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).

Agora, parte da coleção volta a público nesta mostra do maior museu do interior paulista - a apenas 41 km de distância da cidade natal de Tarsila, Capivari - com o objeto de ampliar a compreensão sobre o processo artístico de uma das mais importantes pintoras brasileiras. "O estudo é onde o artista está inventando, criando, pensando o que vale a pena ou não", diz Mauricio Korgiski, cocurador e responsável pela expografia da exposição.

Tarsila do Amaral. 'Estudo de A Negra', 1923
Foto: Museu FAMA/Divulgação / Estadão

Em Tarsila: Onde Nascem as Imagens, o visitante verá desenhos que originaram algumas das pinturas mais famosas da modernista, como Estudo de A Negra (1923), esboço do quadro homônimo que integra o acervo do MAC USP, e Estudo Tatu, Bichos e Boneca Indígena (1924), com elementos do que viria a ser A Cuca (1924), obra clássica da Fase Pau-Brasil que pertence ao Musée de Grenoble, na França.

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Para além destes estudos, também estão expostas algumas pérolas de Tarsila que nunca foram transformadas em telas, como o Estudo de Autorretrato de Cabelo Curto (1923) e Cemitério, URSS (1931), que Emerson Ribeiro Castilho, coordenador pedagógico da exposição, destaca como um importante documento histórico sobre a antiga União Soviética, a qual Tarsila visitou em 1931.

Tarsila do Amaral. 'Autorretrato de cabelo curto', 1923.
Foto: Museu FAMA/Divulgação / Estadão

Ao longo da exposição, os desenhos não são distribuídos de maneira cronológica, mas sim reunidos de forma a apontar temáticas semelhantes ou processos pelos quais Tarsila passou. A primeira parede, por exemplo, reúne desenhos realizados logo no começo da carreira, quando a artista estudou com o pintor paulista Pedro Alexandrino (1856-1942), cuja obra Natureza Morta (s/d), também integra a mostra.

Mais adiante, vemos uma sequência de estudos de nus artísticos realizados em 1923, provavelmente por influência do período em que a modernista frequentou a Academia Julian, em Paris, única instituição que, à época, permitia que mulheres estudassem o nu artístico.

Um dos maiores destaques é uma série de 1925 na qual a artista elaborou diversos desenhos de personagens do folclore brasileiro. O conjunto faria parte de um projeto em colaboração com Oswald de Andrade e Heitor Villa-Lobos, um espetáculo de balé inspirado pelas figuras, mas o musical nunca saiu do papel. Em Saci e Três Estudos de Bichos e Bicho Pernilongo, por exemplo, é possível ver como a modernista brincava com as formas animalescas, mesclando grafite e aquarela.

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Tarsila do Amaral. 'Saci e três estudos de bichos', 1925.
Foto: Museu FAMA/Divulgação / Estadão

"Vemos um lado dela bem infantilizado. As pessoas acham que o artista tem que ser sempre muito adulto, muito culto. Não, tem que ter a essência da criança trabalhando", argumenta Korgiski. "Além disso, ela trabalha com as proporções distorcidas, tem o próprio traço. Acredito que ela levou esse lado mais infantil durante toda a vida dela."

O lado mais lúdico da artista também é destacado em uma segunda sala da exposição, dedicada à interação de crianças e grupos escolares. Ali, os desenhos de Tarsila foram transformados em fantoches e bonecos de meia, enquanto um vídeo conta sua trajetória. Os visitantes também poderão desenhar e criar seus próprios bonecos, inspirados pelo trabalho da artista.

"Estamos acostumadas a ver a Tarsila potente, a Tarsila do manto rouge, a Tarsila antropofágica. Aqui, sinto que é uma Tarsila que se aproxima mais da minha tia bisavó", diz Paola Montenegro, que atualmente gere a Tarsila do Amaral S.A., empresa responsável por licenciamentos e exposições da modernista.

"Conseguimos ver quem era a Tarsila quando ela estava sentada no vagão do trem, desenhando, e não necessariamente pensando em expor isso de alguma forma. Mas claro que tudo que ela toca vira ouro, de alguma forma", finaliza.

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Tarsila: Onde Nascem as Imagens

  • Museu Fama (Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 - Vila São Francisco - Itu/SP)
  • Quintas-feiras e de sexta a domingo, das 11h às 17h 
  • Até 26/7/2027
  • Entrada: R$ 80 - até 30 de novembro todos pagam meia: R$ 40
  • O ingresso único (bilhete único) garante acesso aos Museus Asas de Um Sonho e Museu Fama, bem como às demais áreas expositivas do Centro Cultural, exceto ateliê do Kobra

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