Celeste Rivas morreu por causa de duas 'lesões penetrantes' com 'bordas lisas' no tronco

O Instituto Médico Legal do Condado de Los Angeles finalmente revelou o laudo de autópsia de Rivas após o cantor D4vd ser acusado de seu assassinato

24 abr 2026 - 08h26

Celeste Rivas Hernandez morreu em decorrência de "múltiplas lesões penetrantes" na parte superior do abdômen, de acordo com um laudo de autópsia do Instituto Médico Legal do Condado de Los Angeles divulgado na quarta, e obtido pela Rolling Stone.

D4vd
D4vd
Foto: Rich Polk/Getty Images para Interscope/Capitol / Rolling Stone Brasil

O relatório, que por muito tempo permaneceu sob sigilo, foi tornado público depois que o cantor D4vd — nome verdadeiro David Anthony Burke — foi acusado do assassinato de Rivas na segunda, 20 de abril. O documento alega que Rivas, que tinha 14 anos quando morreu, apresentava um ferimento de faca no lado direito do abdômen que perfurou o fígado e tinha cerca de 1,5 polegada de profundidade. Um segundo ferimento de faca na parte inferior esquerda do tórax tinha "profundidade de pelo menos 2 polegadas", segundo o relatório.

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"Há duas feridas penetrantes no tronco com bordas lisas que podem representar lesões por força cortante. A ferida no abdômen superior penetra o fígado, e a ferida no lado esquerdo do tórax penetra um dos espaços intercostais esquerdos, com ruptura das superfícies corticais das costelas adjacentes", diz o relatório de 26 páginas. "A causa da morte são múltiplas lesões penetrantes. A forma de morte é classificada como homicídio."

O relatório, que determinou a causa da morte em 9 de dezembro de 2025, afirma que a toxicologia pós-morte realizada em tecido hepático mostrou a presença de "um baixo nível de etanol", que não pareceu ter contribuído para a morte de Rivas. Investigadores dizem que não está claro se isso se deveu à ingestão ou a "alterações pós-morte".

A triagem toxicológica também indicou que Rivas teve resultado "presuntivamente positivo" para benzodiazepínicos, metanfetamina e MDMA, o que significa que o teste inicial detectou essas substâncias no organismo, mas que normalmente seria necessária uma análise adicional para que o resultado fosse considerado definitivo.

O aguardado relatório chega sete meses depois de o corpo desmembrado de Rivas ter sido encontrado em dois sacos pretos escondidos no porta-malas dianteiro de um Tesla rebocado e apreendido, registrado em nome de Burke. Autoridades mantiveram sigilo rigoroso sobre a investigação criminal durante esse período e até obtiveram uma ordem judicial impedindo que o IML divulgasse suas conclusões. O instituto se opôs publicamente à restrição de segurança, afirmando que ela impedia a agência de "servir nossa comunidade com total transparência".

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"Depois de vários meses, sou grato por esta informação finalmente poder ser divulgada, não apenas ao público, mas também à família enlutada que vem suportando essa perda", disse o chefe do IML, Dr. Odey Ukpo, em um comunicado. "É inimaginável que tenham tido de esperar tanto tempo para saber o que aconteceu com sua filha."

O relatório amplia informações divulgadas durante o esforço para identificar Rivas e traz novos detalhes sobre a condição dos restos mortais. Observa que seus braços e pernas pareciam ter sido "desmembrados em vários fragmentos" e que sua cabeça estava "parcialmente esqueletizada, com ausência do olho esquerdo". Diz ainda que o corpo passou por "liquefação" de tecido mole e que não foi possível coletar impressões digitais "devido aos dedos encharcados de água". Além disso, revela que o dedo anelar e o dedo mínimo da mão esquerda de Rivas "parecem ter sido mutilados" e nunca foram encontrados.

Segundo o relatório, Rivas vestia um top tomara-que-caia, roupa íntima, leggings pretas e meias pretas. O top tinha "múltiplos furos na frente e nas costas", diz o documento. Conforme reportado anteriormente, confirma-se que Rivas tinha uma tatuagem distinta no dedo indicador direito com a palavra "Shhh…" (Uma foto de Burke com uma tatuagem semelhante foi encontrada após Rivas ser identificada.)

Uma decisão oficial sobre a causa da morte de Rivas não veio rapidamente. No fim de setembro, o Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) divulgou um comunicado explicando a ausência de suspeitos identificados, acusações ou prisões. Em parte, observou que o IML ainda não havia "determinado a causa ou a forma" da morte de Rivas, o que significava que, tecnicamente, ainda estava "incerto" se havia "qualquer culpabilidade criminal além da ocultação do corpo".

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A primeira indicação de que uma causa havia sido determinada ocorreu em novembro, quando o LAPD apresentou uma declaração solicitando a ordem judicial para impedir que o IML divulgasse as conclusões da autópsia. No documento, o caso foi descrito como "uma investigação de homicídio".

A divulgação da autópsia ocorre após Burke ter sido preso na semana passada e formalmente denunciado na segunda. Ele responde a uma acusação de homicídio qualificado em primeiro grau, com circunstâncias especiais, incluindo emboscada, assassinato de uma testemunha em uma investigação em andamento e ganho financeiro. A Promotoria do Condado de Los Angeles revelou que, antes de morrer, Rivas era testemunha em uma investigação em curso contra Burke por "atos sexuais lascivos" com uma pessoa menor de 14 anos.

Além da acusação de homicídio, Burke também responde por atos sexuais com uma pessoa menor de 14 anos e por mutilação de restos mortais. Burke foi apresentado ao tribunal e se declarou inocente na segunda.

De acordo com os promotores, Rivas foi vista pela última vez entrando na casa de Burke em Hollywood Hills em 23 de abril de 2025. Depois disso, segundo o promotor distrital Nathan Hochman, não houve mais notícias dela. As autoridades sustentam que ela foi morta naquele mesmo dia, e que seu corpo foi mutilado em 5 de maio, aproximadamente.

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Os investigadores não detalharam o que acreditam ter acontecido nas duas semanas entre esses eventos, mas o laudo de autópsia oferece indícios sobre as evidências coletadas. Diz que os investigadores fizeram coletas nas alças e nos zíperes da bolsa mortuária que continha a cabeça e o tronco de Rivas, provavelmente em busca de DNA ou impressões digitais. A bolsa tinha três alças de cada lado, além de duas outras na parte superior e inferior. O relatório também observa que "pequenas peças plásticas azuis" foram encontradas nos locais de corte dos braços e das pernas.

A advogada de Burke, Blair Berk, divulgou uma declaração após a prisão dizendo que seu cliente era inocente: "Sejamos claros: as evidências reais neste caso mostrarão que David Burke não assassinou Celeste Rivas Hernandez e não foi a causa de sua morte."

A advogada exigiu uma audiência preliminar imediata e está prevista uma volta ao tribunal na quinta. O procedimento no centro de Los Angeles será o terceiro dia de uma janela de 10 dias durante a qual Burke tem direito de ouvir as evidências contra ele em uma audiência de causa provável.

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