Turquia: Copa do Mundo de Cinema

Assim como muitos países nos quais o desenvolvimento da sétima arte foi tardio, a Turquia viu a sua produção cinematográfica não ter uma continuidade até a década de 1940

19 jun 2026 - 08h59

Por Tem Que Ver*

Foto: Porto Alegre 24 horas

Dividida entre o Ocidente e o Oriente, a Turquia disputa apenas a sua terceira Copa do Mundo da FIFA. As duas vezes anteriores foram em 1954 e 2002 - nesta última oportunidade, os turcos surpreenderam o mundo e chegaram às semifinais, parando apenas no confronto contra o Brasil, que seria campeão. Na disputa pelo terceiro lugar, superaram a Coreia do Sul e, ao finalizar na terceira colocação, obtiveram sua melhor campanha no torneio.

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Ay-Yıldızlılar, apelido dado à seleção (que significa As Estrelas Crescentes), chega à Copa 2026 cheia de expectativas sob a liderança do italiano Vincenzo Montella, que tem feito um belo trabalho no país desde 2021, quando assumiu o comando do clube Adana Demirspor. Os turcos conseguiram a vaga após disputar a repescagem das Eliminatórias da UEFA, ocasião em que venceram Romênia e Kosovo. Os jovens craques Arda Güler e Kenan Yildiz são os grandes destaques da equipe.

Assim como muitos países nos quais o desenvolvimento da sétima arte foi tardio, a Turquia viu a sua produção cinematográfica não ter uma continuidade até a década de 1940. Nesse período, as salas de cinema raramente exibiam produções locais, de modo que a maior parte da programação consistia de filmes oriundos de nações como Estados Unidos, França, Itália e Alemanha. Após a Segunda Guerra Mundial, as coisas começaram a mudar rapidamente, tanto é que, menos de duas décadas depois, a indústria cinematográfica da Turquia - denominada de Yeşilçam - estava entre as cinco maiores do planeta, chegando ao incrível patamar de cerca de 300 filmes produzidos anualmente lá pelo início dos anos 1970.

Para a Copa do Mundo de Cinema, o TemQueVer e o Cine Mulholland escolheram um clássico de 1963 do cinema turco: Verão Seco (Susuz Yaz, no original em turco), longa-metragem dirigido por Metin Erksan. Vários são os críticos que o consideram como um dos marcos da maturidade do cinema turco. Para se entender a magnitude do filme, é preciso compreender o contexto sócio-histórico no qual ele foi filmado, em que predominavam, em Yeşilçam, melodramas escapistas, comédias ingênuas e imitações de obras feitas em Hollywood. Havia, portanto, um forte distanciamento da realidade factual do país, majoritariamente rural e empobrecido.

Metin Erksan, formado em História da Arte e detentor de uma mente agudamente política, rompeu essa bolha, tornando-se um dos grandes nomes do chamado realismo social turco em sua vertente cinematográfica. Verão Seco baseia-se em um conto de Necati Cumalı e destrincha a vida em uma aldeia árida na Anatólia, onde um fazendeiro de tabaco ganancioso decide represar a única fonte de água local, privando seus vizinhos de subsistência e desencadeando uma tragédia marcada por cobiça, luxúria e fratricídio. Trata-se de um filme maravilhoso, o qual merecia ser mais (re)conhecido fora das fronteiras turcas.

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*Texto originalmente publicado no portal Tem Que Ver Cinema

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