Peça vira remédio para atriz da Globo voltar ao trabalho após doença: 'Dei um boom na minha vida'

Aos 80 anos, Ana Lúcia Torre decidiu abrir a intimidade e levar ao teatro suas memórias; atriz está em cartaz com a peça 'Olhos nos Olhos'

3 mar 2026 - 07h29
Peça vira remédio para atriz da Globo voltar ao trabalho após doença: 'Dei um boom na minha vida'
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Sempre muito reservada quanto à vida pessoal, a atriz Ana Lúcia Torre decidiu aos 80 anos que era a hora de levar ao teatro as memórias da sua própria história ao público, que a reconhece por tantos trabalhos marcantes, principalmente na televisão, em seus 60 anos de carreira. Essa virada veio após a veterana passar por um problema de saúde: ela recebeu o diagnóstico de que seu organismo tinha parado de produzir cortisol, um hormônio fundamental para o metabolismo e, por causa disso, sentia um cansaço extremo. 

"Comecei a ficar totalmente sem energia, já vinha há uns dois anos. Eu sempre fui muito de fazer tudo ao mesmo tempo e comecei a me sentir cansada. Achava que era por causa do excesso de trabalho, porque em seis anos eu fiz seis novelas, um filme e duas peças. Não precisa, mas até que eu caí total", conta Ana Lúcia em entrevista ao Terra.

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"Até que eu e meus amigos médicos conseguissem descobrir o que era levou um certo tempo e isso me causou uma grande perturbação, porque sempre fui muito ativa e, de repente, me vi parada, sem energia. Quando a gente chegou à conclusão do que era, parece que eu dei um boom na minha vida", lembra ainda a artista, que afirma que hoje está bem de saúde.

Aos 80 anos, Ana Lúcia Torre decidiu abrir a intimidade e levar ao teatro suas memórias
Aos 80 anos, Ana Lúcia Torre decidiu abrir a intimidade e levar ao teatro suas memórias
Foto: Divulgação

A vontade de expor as memórias

Ana Lúcia diz que várias pessoas já quiseram escrever sua biografia, mas que ela era muito resistente em relação a isso. Ela explica que "sempre tentou preservar a parte mais íntima da vida". A atriz também não tem redes sociais.

"Eu acho o seguinte, eu sou atriz, agora meu filho, meu ex-marido, minha nora, meus netos, eles não têm nada com isso. Eles não têm nada com essa responsabilidade que implica socialmente ser atriz", diz. "E também pelo fato de que hoje em dia, qualquer motivo é motivo para que as pessoas deturpem aquilo que você fala. Eu também sou uma pessoa muito reservada, muito na minha", acrescenta.

Segundo a artista, foi depois da sua questão de saúde e em uma conversa com o diretor Sergio Módena que surgiu a ideia da peça Olhos nos Olhos, em cartaz em São Paulo. No monólogo, Ana Lúcia mescla histórias de sua trajetória pessoal e profissional com as letras de várias músicas icônicas de Chico Buarque de Holanda, com participação do pianista Diógenes Junior. Entre as letras, estão Olhos nos Olhos, Cálice, Atrás da Porta, Apesar de Você e Meu Guri.

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"Conversamos e chegamos à conclusão de que eu podia falar da minha vida com tranquilidade agora, de fatos inclusive bem significativos e que, talvez, grande parte dos meus próprios amigos não conheciam. E fomos calçando essa história com as letras das músicas do Chico Buarque. Eu sempre costumo dizer que o Chico é um grande historiador da nossa época, de 1945 para cá", afirma a veterana. "Tudo que eu fui contando tinha uma ou duas letras dele que se adequavam àquele assunto."

No monólogo, Ana Lúcia mescla histórias de sua trajetória pessoal e profissional com as letras de várias músicas icônicas de Chico Buarque de Holanda
Foto: Divulgação

Atriz traz intimidade na peça

No monólogo, Ana Lúcia divide com o público memórias e reflexões sobre vários temas, como adolescência, entrada na faculdade, amores, separações, mulheres, maternidade aos 40 anos e inclusive sua prisão durante a ditadura militar, assunto que sempre foi muito delicado para a atriz e que ela não comentava antes.

Ela afirma que a mensagem que quer deixar para o público com a peça é a de renovação. "Não existe idade, não existe prazo de validade para você se renovar. Eu que aos 79 anos fiquei de cama sem saber o que tinha e agora estou fazendo um espetáculo solo, acompanhado do meu Diógenes, pianista."

"Tem um momento da peça que eu digo que eu tive um primeiro casamento, acabou, me casei de novo aos 44 anos. Em 1974, vivi essa experiência incrível e também decidi me separar aos 67. E eu digo, isso é muito importante, a liberdade de dizer sim, mas também de dizer não, de romper, porque não existe idade para se renovar", completa.

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Serviço:

  • Temporada: de 16 de janeiro até 29 de março
  • Sessões: sexta-feira e sábado às 20h30; domingo às 18h30
  • Local: BTG Pactual Hall - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, São Paulo - SP
  • Ingressos: entre R$ 25 e R$ 160
  • Duração: 75 minutos
  • Classificação: 12 anos
Fonte: Portal Terra
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