Morreu nesta quinta-feira (6), aos 86 anos de idade, o cantor e compositor Francesco Guccini, um dos símbolos da música folk italiana no século 20.
O falecimento foi anunciado em um comunicado divulgado pela família do artista, que estava "cercado pelo afeto" da esposa Raffaella, da filha Teresa e de outros parentes.
O funeral será realizado nos próximos dias, de maneira "estritamente privada", respeitando um desejo do próprio Guccini. "Ao pedir que este momento de dor possa ser vivido na mais estrita intimidade, a família agradece a todos aqueles que se unirão ao luto com afeto, discrição e respeito", diz a nota.
Uma cerimônia comemorativa deve ser realizada em setembro para homenagear o músico.
Guccini lançou seu álbum de estreia em 1967 e, ao longo de cinco décadas de carreira, produziu 16 discos de estúdio e coletâneas, além de seis ao vivo. Também foi romancista e roteirista de histórias em quadrinhos.
Faixas como "L'avvelenata", um desabafo contra a crítica na indústria musical, "Canzone per un'amica", que aborda a perda prematura de uma amiga, "La locomotiva", hino de justiça social inspirado no anarquismo, e "Eskimo", reflexão sobre a passagem do tempo e a juventude, fizeram com que ele se tornasse um dos cantores e compositores mais amados da Itália, além de referência para movimentos de esquerda e juvenis.
Desde o início dos anos 2000, Guccini vivia em Pavana, vilarejo situado nas montanhas dos Apeninos, onde frequentemente recebia fãs desejosos de conhecê-lo. Nos últimos anos de vida, dedicou-se principalmente à literatura, publicando vários romances policiais elogiados pela crítica ao lado de seu amigo e escritor Loriano Macchiavelli.
"As palavras são importantes, e o som delas é aquele por meio do qual aprendemos a amar as coisas", disse Guccini em sua última declaração pública, em 23 de julho.
"As canções de Guccini marcaram a cultura de gerações inteiras", afirmou o ex-premiê da Itália Romano Prodi, que era amigo do compositor. "Ele era um grande poeta, um grande músico e um homem generoso", acrescentou.