O cantor espanhol Julio Iglesias, denunciado por supostamente assediar sexualmente duas ex-funcionárias, também é acusado de ter ordenado que algumas mulheres que trabalhavam para ele se submetessem a exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis, informou a imprensa local nesta quarta-feira (14).
As acusações contra o cantor de 82 anos, cuja carreira abrange seis décadas, foram publicadas na última terça (13), após uma investigação conjunta de três anos realizada pelo site de notícias espanhol elDiario.es e pela emissora Univision Noticias.
Duas mulheres - uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta, conhecidas pelos pseudônimos Rebeca e Laura - alegam ter sido vítimas de agressões sexuais enquanto trabalhavam nas mansões de Iglesias na República Dominicana e nas Bahamas, em 2021.
Hoje, no entanto, uma terceira ex-funcionária, chamada de Carolina para ter a identidade protegida, afirma ter sido obrigada a se submeter a exames ginecológicos e testes de HIV, sem relação com suas funções como empregada doméstica.
"Mandavam todas nós ao médico; era uma imposição", declarou Carolina em entrevista aos veículos. "Fizeram exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis, ultrassonografias e exames de sangue. Não me pareceu normal."
Essa acusação também foi confirmada por Rebecca, que relatou que aproximadamente 10 mulheres que trabalharam nas residências do cantor na República Dominicana e nas Bahamas foram submetidas aos mesmos exames.
Organizações como a Anistia Internacional e a Women's Link Worldwide divulgaram comunicados hoje relatando que, entre janeiro e outubro de 2021, as mulheres "supostamente sofreram violência sexual, psicológica, física e econômica", trabalhando em turnos de até 16 horas por dia, sem contratos, períodos de descanso ou liberdade pessoal.
Em 5 de janeiro, os incidentes foram denunciados ao Ministério Público da Espanha como "supostos crimes de tráfico de pessoas, trabalho forçado e violação da liberdade sexual".
Laura e Rebecca, então com 22 e 28 anos, alegam ter sido agredidas sexualmente e assediadas por Iglesias, então com 77 anos, que supostamente as impedia de sair de casa e as obrigava a trabalhar longas jornadas sem contratos formais.
A denúncia apresentada à Justiça espanhola solicita a investigação de "atos que podem configurar o crime de tráfico de seres humanos para fins de trabalho forçado e servidão, além de agressão, violência sexual e violações da legislação laboral". O relato de Rebecca sugere que as agressões podem constituir estupro.
O inquérito preliminar do Ministério Público segue sigiloso. Segundo especialistas, o perfil das supostas vítimas coincide: jovens em situação de vulnerabilidade, de famílias humildes, sobre as quais o cantor exercia poder.
Julio Iglesias, ícone da música pop latina com mais de 300 milhões de álbuns vendidos, ainda não se pronunciou, apesar de contatos repetidos, inclusive por meio de seu advogado.