A Bienal de Música de Veneza dará o Leão de Ouro pelo conjunto da obra ao compositor e performer japonês Keiji Haino, por sua "contribuição pioneira às linguagens da improvisação e da experimentação contemporânea".
A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da Bienal de Veneza, com base em uma recomendação de Caterina Barbieri, diretora do Departamento de Música.
A cerimônia de premiação acontecerá durante o Festival Internacional de Música Contemporânea, de 10 a 24 de outubro.
"Ao longo de uma carreira de mais de 50 anos e uma intensa atividade internacional de concertos, que o levou a colaborar com inúmeros músicos e artistas visuais de renome, Haino se consolidou como uma das vozes mais singulares e significativas da música experimental contemporânea", justificou a Bienal, em nota, sobre a escolha.
O comunicado também destaca a versatilidade do trabalho do músico japonês, "deliberadamente livre de afiliações estilísticas", que abrange diversos campos, "indo do noise ao free jazz e blues; do rock à experimentação eletroacústica; do folk à música drone", criando "um gênero novo e inimitável que redefine as fronteiras entre a música clássica e as práticas underground".
"Na poética musical de Haino, a performance improvisada assume um valor essencial e o som se transforma em uma experiência corpórea, primordial e catártica", reforça a nota.
No evento em Veneza, o principal homenageado fará uma performance ao vivo, apresentada em estreia mundial.
De modo paralelo e em exibição inédita fora do Japão, o público também será contemplado com um documentário sobre a carreira de Haino, dirigido por Kazuhiro Shirao.
Já o Leão de Prata vai para a compositora e organista canadense Sarah Davachi, uma das vozes mais interessantes da cena musical contemporânea, com foco na hibridização de linguagens eletrônicas e acústicas.