Funeral de Guccini reúne familiares e amigos em cerimônia privada na Itália

Símbolo da música folk italiana faleceu no último dia 6 de agosto aos 86 anos

8 ago 2026 - 10h20
(atualizado às 11h03)

O funeral do cantor e compositor italiano Francesco Guccini, que morreu aos 86 anos no último dia 6 de agosto, foi realizado nesta sábado (8) na casa do artista, em Pavana, na Toscana, conforme seu desejo.

A cerimônia de um dos símbolos da música folk italiana no século 20 aconteceu em caráter privado e reuniu cerca de 40 familiares e amigos próximos, que prestaram suas últimas homenagens por meio de discursos, lembranças e leituras.

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Entre os presentes estava o cardeal Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e amigo íntimo de Guccini.

Um dos momentos mais emocionantes foi a homenagem feita por Teresa Guccini, filha do artista. Cantora e compositora, ela alternou lembranças do cotidiano com reflexões sobre a relação com o pai.

"Nunca consegui te fazer todas as perguntas. O maior presente que você me deu foi saber onde procurar. Ou nunca parar de fazer essas perguntas, mesmo sem ter necessariamente uma resposta. Era isso que você queria me ensinar?", disse Teresa.

Ao concluir sua despedida, ela resumiu a emoção em poucas palavras: "Boa viagem, pai." No caixão, a família escolheu alguns objetos especiais para Guccini, como o livro "Maigret em Paris" e uma colagem de fotografias de seus gatos, uma lembrança que permaneceu em destaque durante a cerimônia. Em meio à comoção, alguém gritou: "Obrigado, Francesco".

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Visivelmente emocionada, a esposa do artista, Raffaella, acompanhou o caixão na saída da residência ao lado de familiares próximos. Depois da cerimônia íntima em Pavana, o corpo foi encaminhado ao crematório de Borgo Panigale, em Bolonha.

As cinzas deverão retornar a Pavana, onde serão sepultadas no cemitério municipal, seguindo a vontade do cantor italiano. Ao longo do percurso, numerosos fãs se reuniram para prestar uma última homenagem a Guccini.

Durante a cerimônia, Zuppi também destacou o significado da data da morte de Guccini, 6 de agosto. Para a Igreja Católica, o dia marca a festa da Transfiguração do Senhor e também a data da morte do papa Paulo VI, ocorrida em 1978.

O cardeal relembrou ainda um episódio que relaciona Guccini ao pontífice. Paulo VI já havia sido eleito para o trono de Pedro quando "Dio è morto", uma das canções mais conhecidas do compositor, foi lançada, em 1967. A música chegou a ser inicialmente censurada pela RAI, a emissora pública italiana.

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Ao final de sua fala, Zuppi permaneceu ao lado do caixão e recitou uma oração de bênção. Todos os presentes se levantaram, em um dos momentos mais comoventes da despedida.

Raffaella, tomada pela emoção, começou a chorar. O cardeal se aproximou e a abraçou. Em seguida, os dois permaneceram juntos junto ao caixão, diante da colagem de fotografias dos gatos de Guccini. 

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