Em meio a guerra, Irã não participará da 61ª Bienal de Arte de Veneza

Está confirmada a participação de 100 países, incluindo Rússia e Israel

4 mai 2026 - 10h05
(atualizado às 11h14)

O Irã não participará da 61ª Bienal de Arte de Veneza, confirmou nesta segunda-feira (4) a organização do evento, após receber um comunicado da delegação de Teerã informando que seu pavilhão não poderá ser montado.

Irã informou Bienal de Veneza que seu pavilhão não poderá ser montado na 61ª edição
Irã informou Bienal de Veneza que seu pavilhão não poderá ser montado na 61ª edição
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O país persa havia expressado interesse na mostra ainda em fevereiro, dias antes do início da guerra em seu território, no dia 28 daquele mês.

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Com a saída do Irã, a lista oficial de participantes conta com 100 delegações nacionais, incluindo Tanzânia e Seychelles, confirmadas em 4 de março.

A 61ª edição também contará com artistas russos e israelenses, que se tornaram motivo de polêmica com a Bienal de Veneza. Tanto o governo italiano quanto a União Europeia se posicionaram contra a participação de Moscou no evento devido à guerra na Ucrânia, e Bruxelas ameaçou inclusive suspender um apoio financeiro à exposição.

O júri internacional da Bienal de Arte, presidido pela brasileira Solange Farkas, chegou a excluir da premiação representantes de países cujos líderes são alvos de mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), como Rússia e Israel, porém renunciou ao cargo cerca de uma semana depois.

Assim, no último 30 de abril, a organização anunciou a criação de novos prêmios, os "Leões dos Visitantes", para substituir neste ano o Leão de Ouro e os Leões de Prata, cujos vencedores são designados pelo júri.

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Os troféus serão entregues ao melhor artista participante da 61ª edição e à melhor participação nacional no evento, mas apenas no encerramento, em 22 de novembro, a partir do voto popular. A segunda categoria abrangerá "todas as delegações nacionais presentes".

Intitulada "In Minor Keys by Koyo Kouoh", a 61ª Bienal de Arte de Veneza terá início no sábado (9) e seguirá até 22 de novembro, "sem excluir nenhum pavilhão".

"Estamos aqui imersos em uma realidade social vibrante, para nos nutrir com a arte, porque a arte tem um poder ainda maior do que qualquer arrogância", declarou hoje o presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, acrescentando que "a arte nos destina ao futuro e nos dá a capacidade de apagar catástrofes".

Já o prefeito veneziano, Luigi Brugnaro, lembrou que "as maiores bienais acompanharam as atualidades do mundo". "Se não houvesse polêmica, conflito ou ideias diferentes, a cultura não seria cultura, e a Bienal não seria a Bienal", salientou.

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