Crítica | O caso dos Estrangeiros

"Antes mesmo da travessia pelo mar, a maior ruptura já aconteceu: a perda do próprio lugar no mundo." Imagens/ Paris filmes O Porto Alegre 24 horas foi conferir, "O Caso dos Estrangeiros" e encontramos um filme que entende o exílio como uma ruptura que vai muito além da geografia. Quando alguém é arrancado de sua terra, […]

25 fev 2026 - 20h24
(atualizado às 20h27)

"Antes mesmo da travessia pelo mar, a maior ruptura já aconteceu: a perda do próprio lugar no mundo."

Imagens/ Paris filmes  

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O Porto Alegre 24 horas foi conferir, "O Caso dos Estrangeiros" e encontramos um filme que entende o exílio como uma ruptura que vai muito além da geografia. Quando alguém é arrancado de sua terra, não deixa para trás apenas um endereço, mas vínculos, memória, pertencimento. A obra escolhe olhar para essas marcas invisíveis, tratando a crise dos refugiados não como estatística, mas como experiência humana concreta, íntima e dolorosa.

A trama se desenrola a partir de um episódio devastador em Aleppo, que desencadeia conexões inesperadas entre cinco famílias espalhadas por diferentes países. A narrativa se constrói de maneira fragmentada, costurando trajetórias que convergem para a mesma travessia marítima em direção à Grécia. Ainda que compartilhem o mesmo destino, cada núcleo carrega conflitos particulares, perdas irreparáveis e expectativas que nem sempre resistem à realidade. O filme evidencia como guerras e decisões políticas redesenham vidas sem pedir permissão.

Imagens/ Paris filmes                                                    Imagens/ Paris filmes  

Sob a condução de Brandt Andersen, a direção aposta na sobriedade. Não há espaço para exageros melodramáticos ou cenas pensadas para chocar gratuitamente. A emoção surge de momentos discretos: pausas incômodas, diálogos interrompidos, olhares que denunciam cansaço e incerteza. Essa escolha torna a narrativa mais honesta e impede que os personagens se transformem em símbolos genéricos de sofrimento.

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O roteiro também evita idealizações. Ao mostrar desentendimentos e disputas entre os próprios refugiados, o filme reforça que a dor coletiva não apaga diferenças individuais. Em contextos de pressão extrema, medo e falta de recursos, surgem tensões que revelam fragilidades humanas. Essa abordagem acrescenta complexidade à história e afasta qualquer visão simplista sobre solidariedade automática.

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Um dos eixos mais impactantes acompanha uma mulher que, em solo europeu, trabalha na limpeza de um hospital, apesar de ter sido médica respeitada em seu país de origem. Essa inversão silenciosa traduz uma das perdas mais cruéis provocadas pela guerra: a erosão da identidade e da trajetória profissional. Não se trata apenas de recomeçar, mas de aceitar que parte de quem se foi talvez jamais possa ser recuperada.

O elenco internacional fortalece esse sentimento de deslocamento permanente. Omar Sy entrega uma atuação contida, marcada por humanidade e sensibilidade, enquanto Jay Abdo, Carlos Chahine e Helou Fares ampliam o alcance emocional da obra. Cada interpretação contribui para um retrato plural, no qual medo e esperança coexistem de forma constante.

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"O Caso dos Estrangeiros" não pretende oferecer soluções para um problema global, mas demonstra como o cinema pode provocar reflexão e empatia. Ao aproximar o público dessas trajetórias, o longa transforma um debate político em uma questão ética.

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Quando os créditos sobem, o que permanece não é apenas a narrativa das personagens, mas uma provocação incômoda: que tipo de mundo estamos construindo quando dignidade e segurança deixam de ser direitos e passam a ser privilégios? O filme não entrega respostas prontas, mas deixa claro que virar o rosto nunca é uma escolha neutra.

O longa estreia nos cinemas nacionais no dia 26 de fevereiro! 

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