A frase aparece a cada poucos meses no Instagram, acompanhada de uma fotografia em preto e branco de Lev Tolstói olhando para o horizonte com uma expressão transcendental.
"O segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas querer sempre o que se faz".
Faz sentido porque soa a Tolstói. Parece coisa de Tolstói, mas há um pequeno problema: não há provas de que o escritor e filósofo russo tenha dito isso alguma vez. Não aparece nem em seus romances, nem em seus diários, nem em sua correspondência...
Portanto, considera-se uma citação apócrifa, uma daquelas frases que, em uma espécie de efeito Mandela, acabam sendo atribuídas a alguma figura histórica para lhes dar mais peso ou prestígio e para que cheguem a mais pessoas.
A citação parece ter relação com um antigo provérbio americano: "O segredo da vida não é fazer o que você gosta, mas gostar do que você faz". E tem, além disso, uma enorme semelhança com outra dessas reflexões atribuídas a Jean-Paul Sartre: "A felicidade não é fazer o que se quer, mas querer o que se faz".
No entanto, embora Tolstói provavelmente nunca tenha proferido essas palavras, é difícil encontrar alguém cuja vida se identifique melhor com elas. Pois, se há algo que caracteriza a biografia do escritor russo, é justamente a tensão permanente entre o que ele desejava fazer, o que acreditava que devia fazer e o que acabou fazendo. Mas, afinal, não é um pouco assim a vida de todos nós?
O homem que tinha tudo e continuava se sentindo perdido
Quando pensamos...
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