O navio de pesquisa espanhol Miguel Oliver resgatou, a 1.400 metros de profundidade, 26 ânforas romanas intactas e centenas de fragmentos cerâmicos de 2 mil anos atrás. Do tipo Dressel 20, essas peças descartáveis eram usadas entre os séculos I e III para transportar azeite bético pelo Império Romano. Os artefatos ainda conservam inscrições originais sobre peso, origem e comerciantes, oferecendo pistas valiosas que ajudam arqueólogos a desvendar as complexas rotas logísticas e marítimas de Roma.
A rede do navio pesqueiro espanhol Miguel Oliver trouxe à superfície, no último dia 5 de setembro, 26 ânforas romanas quase intactas e 17 caixas de cerâmica fragmentada. Ele participava do MEDITS, o programa que avalia todos os anos a saúde dos pesqueiros do Mediterrâneo.
As peças pertencem ao tipo Dressel 20, o recipiente por excelência do azeite bético entre os séculos I e III. O galão padrão, por assim dizer. Eram fabricadas às margens do Guadalquivir, entre Hispalis (Sevilha) e Corduba (Córdoba), e comportavam entre 40 e 80 litros de azeite. Sua argila porosa fazia com que se tornassem inutilizáveis após uma única viagem: eram enchidas, transportadas e descartadas.
Muitas das recuperadas em Formentera conservam selos e tituli picti, inscrições pintadas com o peso, a origem e o nome do comerciante. É o equivalente à informação nutricional da Antiguidade e a pista que permite rastrear rotas comerciais inteiras. Selos idênticos aparecem em sítios arqueológicos de Londres e Mogúncia, na atual Alemanha: o azeite bético chegava até as fronteiras mais distantes do Império.
Esse modelo de usar e descartar deixou uma marca brutal em Roma. O Monte Testaccio, uma colina artificial de 35 metros às margens do Tibre, é formado quase inteiramente por fragmentos de Dressel 20: cerca de 53 milhões de ânforas, acumuladas ao longo de um século. Formentera agora acrescenta mais 26 peças ao mesmo quebra-cabeça logístico: como Roma transportava milhões de litros de azeite pelo mar sem ...
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