Uma das muitas cenas cinematográficas que se desenrolaram durante o bloqueio soviético de Berlim ocorreu em 1948, quando os Estados Unidos e seus aliados mantiveram uma cidade inteira abastecida por meio de uma ponte aérea que pousava a cada poucos minutos com alimentos, carvão e medicamentos. A operação destacou uma lição que os estrategistas militares jamais esqueceram: em qualquer guerra, às vezes o mais importante não é conquistar uma cidade, mas sim decidir quem poderá continuar a abastecê-la.
Retorno silencioso
Durante séculos, os cercos foram uma das ferramentas de guerra mais brutais e eficazes. Cercar uma cidade, cortar o fornecimento de suprimentos e esperar que a fome, o esgotamento ou a falta de munição fizessem o trabalho era uma estratégia militar tão antiga quanto os próprios impérios.
A Ucrânia está agora revivendo essa mesma ideia, mas adaptada à era dos drones. A grande diferença é que não precisa mais cercar fisicamente uma cidade ou enviar milhares de soldados para isolá-la: basta controlar as estradas, monitorar os movimentos e destruir constantemente tudo o que entra ou sai. O que está acontecendo em torno de Mariupol começa a se parecer menos com uma guerra tradicional e mais com um cerco medieval executado do ar e a centenas de quilômetros de distância.
Mariupol como laboratório
Após a captura de Mariupol em 2022, a Rússia transformou a cidade em um dos principais centros logísticos de sua frente sul, utilizando suas estradas e porto para transportar ...
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