Estudo de 2026 revela que um tratamento triplo eliminou o HIV em primatas recém-nascidos, abrindo caminho para ensaios clínicos em humanos e avanços no combate ao vírus.
Uma nova pesquisa da Oregon Health & Science University revelou um tratamento triplo inovador que conseguiu eliminar completamente o HIV em primatas não humanos recém-nascidos. As descobertas, publicadas na Nature Microbiology, abrem caminho para ensaios clínicos em humanos e um futuro onde a infecção por HIV possa ser permanentemente eliminada.
Como funciona o tratamento triplo contra o HIV?
O tratamento triplo combina a terapia antirretroviral convencional, anticorpos amplamente neutralizantes e o anticorpo monoclonal experimental leronlimab. Administradas de forma conjunta dentro das primeiras 72 horas após a infecção, as terapias atuam simultaneamente para minimizar a replicação do vírus, reduzir a circulação de partículas virais no sangue e bloquear a infecção nas células imunológicas.
O estudo foi liderado pelos pesquisadores Jonah Sacha e Nancy Haigwood, da Oregon Health & Science University (OHSU). O trabalho envolveu colaboradores de centros de pesquisa de primatas de Oregon e da Califórnia.
A virologista e imunologista Nancy Haigwood utiliza três analogias para descrever como a combinação atua no organismo: a terapia antirretroviral fecha a torneira ao conter a replicação; os anticorpos neutralizantes limpam o sangue encurralando o vírus; e o leronlimab veda o acesso do HIV aos receptores CCR5 das células imunológicas.
Quais são os próximos passos para os testes em humanos?
Os próximos passos dos cientistas envolvem a realização de ensaios clínicos em humanos, iniciando por adultos que foram recentemente expostos ao HIV. A equipe da Oregon Health & Science University também investigará se a janela terapêutica de eficácia pode ser estendida além de três dias após o contágio inicial.
Antes que a abordagem chegue aos recém-nascidos, a estratégia precisará passar por testes de segurança e eficácia em etapas clínicas regulamentadas.
Cerca de 600.000 pessoas morrem anualmente em decorrência do HIV no mundo, de acordo com dados do estudo publicado na Nature Microbiology (2026).
A pesquisa contou com apoio financeiro de múltiplos subsídios dos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, incluindo o Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) e o National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).