O navio cheio de materiais tóxicos que a França vendeu para o Brasil e que nossa Marinha resolveu afundar porque não sabia mais o que fazer com ele

Comprado por cerca de US$ 12 milhões, navio passou quase toda sua fase brasileira em reparos e, no final, não conseguiu nem ser vendido como sucata

15 ago 2026 - 10h40
(atualizado em 16/8/2026 às 09h40)
Foch / São Paulo
Foch / São Paulo
Foto: Rob Schleiffert (Flickr), Brazil Navy, Ricardo Stuckert, US Navy / Xataka

A história começa no ano 2000, quando a França vendeu ao Brasil um dos grandes símbolos de seu poder naval. Mais de duas décadas depois, aquele porta-aviões terminou a 5.000 metros de profundidade no Atlântico, depois que a Turquia se recusou a desmontá-lo e o Brasil decidiu afundá-lo deliberadamente. No caminho, um "presente" em seu interior que, mesmo debaixo d'água, continuava dentro do navio e cuja quantidade exata ainda é motivo de disputa.

O fato é que o Foch não era um navio qualquer. Entrou em serviço em 1963 e, junto com o Clemenceau, foi durante quase quatro décadas um dos grandes expoentes do poder naval francês: nada menos que 265 metros contando o convés de voo, capacidade para cerca de 2.000 tripulantes e aproximadamente 40 aeronaves, além de um histórico que o levou dos testes nucleares franceses no Pacífico ao Líbano e aos Bálcãs.

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Quando o Charles de Gaulle assumiu seu lugar, a França encontrou uma segunda vida para o veterano navio: o Brasil o comprou no ano 2000 por cerca de US$ 12 milhões e o rebatizou como São Paulo.

O problema: a França não vendeu apenas 30.000 toneladas de navio. Hoje sabemos que, antes de entregá-lo, a França havia realizado trabalhos de remoção de amianto e descontaminação, mas o processo havia ficado incompleto. Dessa forma, dentro daquela gigantesca estrutura permaneciam materiais perigosos empregados durante décadas na construção naval: amianto, tintas com metais pesados, PCB e outros compostos tóxicos.

Durante anos, aquilo foi um ...

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