Nos séculos XVIII e XIX, marinheiros e baleeiros que passavam pelas Ilhas Galápagos enfrentavam um problema: a falta de carne na sua dieta. Decidiram então libertar cabras para terem uma fonte de alimento disponível ao longo das suas rotas. Centenas de anos mais tarde, esta espécie, outrora domesticada e familiar, mas agora invasora, tinha devastado a paisagem, tornando-se uma verdadeira praga que precisava de ser erradicada. Como? Com uma arma letal peculiar contra as mais de 140 mil cabras que vagueavam livremente: mais cabras.
"Cabras Judas" e "Cabras Mata Hari"
Entre 1997 e 2006, o Parque Nacional de Galápagos e a Fundação Charles Darwin realizaram o Projeto Isabela, responsável pela erradicação de mais de 140 mil cabras espalhadas por cerca de 500 mil hectares das ilhas de Santiago, Pinta e norte de Isabela. A operação foi realizada por meio de caça aérea com helicópteros e com o uso de cabras "Judas" e "Mata Hari".
As cabras "Judas" eram animais esterilizados e equipados com coleiras de rádio que, graças ao seu comportamento de pastoreio, guiavam os caçadores até o restante do rebanho, algo essencial para encontrar os indivíduos mais esquivos. As cabras "Mata Hari", por sua vez, eram um subgrupo de fêmeas com implantes hormonais que as tornavam especialmente atraentes para os machos. Em essência, elas desempenhavam a mesma função: atrair e guiar os caçadores até as últimas cabras restantes.
Funcionou
A partir de 2006, estudos de monitoramento sucessivos confirmaram a ...
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