Nossa nostalgia não é só pela juventude: desejamos a capacidade de atenção que tínhamos naquela época

O celular a foi sequestrando pouco a pouco

10 mar 2026 - 11h21
(atualizado às 11h54)
Foto: Xataka

Relato original de Javier Lacort, do Xataka Espanha

Há alguns dias, vi um tuíte que dizia o seguinte:

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"Houve um tempo em que a felicidade tinha a forma humilde de uma tarde qualquer. Chegar em casa, ligar o PS2 e desaparecer por horas."

É um daqueles tuítes que conseguem tocar uma fibra nostálgica e dar nome a algo que muita gente sente, mas ainda não soube articular.

A leitura mais fácil é a nostalgia da juventude: éramos jovens, não tínhamos responsabilidades, tínhamos tardes inteiras para perdê-las no GTA da vez. Isso é verdade, mas é apenas metade da história.

A outra metade é que vivíamos aquelas tardes com uma atenção que hoje nos parece quase impossível de reproduzir. Não havia nada competindo por ela. A tela era uma só, o mundo era aquele, e a mente permanecia ali dentro por horas sem que ninguém a chamasse de volta.

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Isso já não existe. Não porque tenhamos menos tempo livre — o que também é verdade, já que a vida adulta nos atropela, como é natural —, mas porque o tempo livre que temos deixou de ser habitável da mesma maneira. O celular não interrompe apenas quando toca: ele interrompe o tempo todo sem fazer nada, com sua simples presença no bolso, com a possibilidade sempre aberta de que haja algo ali dentro que ainda não vimos.

O ano acadêmico de 2007/2008 foi absolutamente espetacular para o meu grupo de amigos. Dos seis que éramos, quatro tinham namorada. Terminamos o ano todos solteiros. Um dos motivos foi que adorávamos passar horas todos juntos jogando PES ...

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