A Meta anunciou a emissão de ações sem direito a voto para financiar sua expansão em IA e reter talentos, mantendo o controle de Mark Zuckerberg. Com resultados trimestrais acima do esperado, a gigante foca no sucesso do seu novo agente de IA, o Muse, que já conquistou 10 milhões de usuários. Diante de custos elevados em chips e data centers, a empresa pretende acelerar a monetização da ferramenta, redirecionando também a divisão Reality Labs para a IA a fim de rivalizar com OpenAI e Anthropic.
A Meta lançou na quarta-feira novas ações sem direito a voto para ajudar a financiar a expansão em IA da gigante das redes sociais, enquanto os executivos apresentaram sua visão de organizar o futuro da empresa em torno do negócio emergente de agentes de IA.
As ações da controladora do Facebook e do Instagram subiam mais de 4% no pregão prolongado. A Meta também previu uma receita no quarto trimestre acima das estimativas de Wall Street e divulgou um forte crescimento de seu novo aplicativo de agente de IA para consumidores, o Muse.
A empresa vem investindo pesadamente em chips avançados e centros de dados para competir de forma mais agressiva com os líderes do mercado de IA, OpenAI e Anthropic, impulsionando-a para a vanguarda de uma corrida emergente por agentes de IA para consumidores, ao mesmo tempo em que corrói seu fluxo de caixa livre.
A Meta emitirá uma nova classe de ações ordinárias Classe C sem direito a voto em janeiro de 2027, resultando efetivamente em um desdobramento de duas por uma, para financiar aquisições e reter os melhores talentos, mantendo ao mesmo tempo o controle do presidente-executivo Mark Zuckerberg.
Zuckerberg afirmou que mais de 10 milhões de pessoas nos EUA e no Canadá criaram contas no Muse em um mês e meio e que o crescimento continua forte.
CUSTOS MAIS ALTOS
Ainda assim, Zuckerberg reconheceu que os custos de oferecer o Muse eram mais altos do que aqueles associados a muitos outros novos produtos da Meta ao longo dos anos e disse que passaria a monetizar o agente "um pouco mais cedo do que o previsto em nosso plano normal".
A diretora financeira, Susan Li, previu que os negócios de IA da Meta começariam a gerar receita incremental em 2027 e se tornariam "uma fonte significativa de diversificação de receita ao longo do tempo".
Os executivos também enfatizaram que a IA seria o foco daqui para frente para a unidade Reality Labs da Meta, que vem registrando prejuízos e liderou a iniciativa da Meta de construir o "Metaverso", um mundo digital imersivo que inspirou a mudança de nome do Facebook para Meta em 2021.
A Meta elevou o limite inferior de sua previsão de gastos anuais, esperando agora que os gastos de capital fiquem entre US$135 bilhões e US$145 bilhões este ano, acima dos US$130 bilhões a US$145 bilhões previstos anteriormente.
A receita do terceiro trimestre ficou acima do esperado, em US$64,60 bilhões, superando as estimativas de Wall Street de US$63,37 bilhões, de acordo com dados compilados pela LSEG.
A empresa também projetou uma receita para o quarto trimestre entre US$73 bilhões e US$76 bilhões, acima das estimativas de US$73,73 bilhões.