IA não levará a colapso no mercado de trabalho, diz maior recrutadora do mundo

23 jul 2026 - 10h51

A inteligência artificial ‌não provocará um colapso no mercado de trabalho, apesar das preocupações de que a tecnologia substitua um grande número de trabalhadores, indicou nesta quinta-feira um estudo realizado pela empresa de recrutamento Adecco Group.

Os empregadores apontaram a IA como responsável por ⁠quase um quarto dos cortes de pessoal nos Estados Unidos neste ‌ano, informou a empresa global de recolocação profissional Challenger, Gray & Christmas.

Publicidade

A Microsoft anunciou este mês que estava cortando cerca ‌de 2,1% de sua força de ‌trabalho, juntando-se ao HSBC Holdings, à Amazon e ao ⁠Standard Chartered em uma onda de demissões em massa, à medida que as empresas redirecionam seus investimentos para a IA.

Mas Denis Machuel, presidente-executivo da Adecco, com sede em Zurique, disse à Reuters que algumas empresas estavam usando a IA como pretexto ‌para cortes causados por desempenho fraco, reestruturação ou outros problemas.

"A ‌IA está trazendo uma ⁠enorme evolução ⁠no mundo do trabalho, mas um apocalipse no mercado de trabalho não ⁠está no horizonte", disse ele. "Trata-se ‌mais de uma mudança ‌de funções e tarefas do que da eliminação de empregos."

Três anos e meio após o lançamento do ChatGPT, o chatbot de IA da OpenAI, as taxas de emprego ⁠estão em níveis recordes e o desemprego está próximo de mínimos históricos, afirmou a Adecco, citando dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre seus 38 países membros.

Publicidade

As revoluções industriais anteriores -- desde ‌o advento do vapor, da eletricidade, da tecnologia da informação e da internet -- transformaram o trabalho sem causar destruição em ⁠massa de empregos, disse Machuel.

"Com os dados que temos até agora, não há evidências de que teremos um cenário diferente com a IA", acrescentou. A Adecco é a maior empresa de recrutamento do mundo.

Alguns empregos de nível básico estavam desaparecendo, mas os empregadores não podiam simplesmente cortar cargos juniores sem prejudicar o fluxo de talentos, disse Machuel.

As empresas precisavam reinventar esses empregos para que a IA pudesse complementá-los, disse o executivo, ressaltando que o aprimoramento de competências, a requalificação profissional e uma colaboração mais estreita entre empresas, governos e sistemas educacionais eram essenciais.

Publicidade
Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se