A inteligência artificial não provocará um colapso no mercado de trabalho, apesar das preocupações de que a tecnologia substitua um grande número de trabalhadores, indicou nesta quinta-feira um estudo realizado pela empresa de recrutamento Adecco Group.
Os empregadores apontaram a IA como responsável por quase um quarto dos cortes de pessoal nos Estados Unidos neste ano, informou a empresa global de recolocação profissional Challenger, Gray & Christmas.
A Microsoft anunciou este mês que estava cortando cerca de 2,1% de sua força de trabalho, juntando-se ao HSBC Holdings, à Amazon e ao Standard Chartered em uma onda de demissões em massa, à medida que as empresas redirecionam seus investimentos para a IA.
Mas Denis Machuel, presidente-executivo da Adecco, com sede em Zurique, disse à Reuters que algumas empresas estavam usando a IA como pretexto para cortes causados por desempenho fraco, reestruturação ou outros problemas.
"A IA está trazendo uma enorme evolução no mundo do trabalho, mas um apocalipse no mercado de trabalho não está no horizonte", disse ele. "Trata-se mais de uma mudança de funções e tarefas do que da eliminação de empregos."
Três anos e meio após o lançamento do ChatGPT, o chatbot de IA da OpenAI, as taxas de emprego estão em níveis recordes e o desemprego está próximo de mínimos históricos, afirmou a Adecco, citando dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre seus 38 países membros.
As revoluções industriais anteriores -- desde o advento do vapor, da eletricidade, da tecnologia da informação e da internet -- transformaram o trabalho sem causar destruição em massa de empregos, disse Machuel.
"Com os dados que temos até agora, não há evidências de que teremos um cenário diferente com a IA", acrescentou. A Adecco é a maior empresa de recrutamento do mundo.
Alguns empregos de nível básico estavam desaparecendo, mas os empregadores não podiam simplesmente cortar cargos juniores sem prejudicar o fluxo de talentos, disse Machuel.
As empresas precisavam reinventar esses empregos para que a IA pudesse complementá-los, disse o executivo, ressaltando que o aprimoramento de competências, a requalificação profissional e uma colaboração mais estreita entre empresas, governos e sistemas educacionais eram essenciais.