Governo lança ofensiva de R$2,3 bi em infraestrutura para IA e busca equilibrar laços com China e EUA

20 ago 2026 - 18h03
(atualizado em 21/8/2026 às 15h54)
Resumo
O governo brasileiro anunciou um investimento de R$ 2,3 bilhões em inteligência artificial para reforçar a soberania nacional e equilibrar relações com China e EUA. O plano destina R$ 1,3 bilhão para infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro em parceria com empresas chinesas e R$ 1 bilhão para a criação de um supercomputador no Rio Grande do Norte, que deve contar com tecnologia norte-americana. As operações têm previsão de início a partir do próximo ano.

O governo brasileiro anunciou nesta ‌quinta-feira investimentos de cerca de R$2,3 bilhões para fortalecer seu ecossistema de infraestrutura para inteligência artificial, dividindo projetos entre empresas dos Estados Unidos e da China, em um movimento que ressalta a tentativa de equilibrar relações com as duas potências.

Pouco mais da metade do total, R$1,3 bilhão, financiará um projeto de ⁠infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro desenvolvido em parceria com as chinesas ‌Huawei e iFlytek.

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Segundo o governo, a estrutura será usada principalmente para desenvolver modelos de linguagem de uso geral e aplicações setoriais.

Separadamente, cerca de R$1 ‌bilhão será destinado a um edital para um ‌supercomputador que o Brasil espera ver entre as dez máquinas mais ⁠poderosas do mundo para processamento de inteligência artificial.

O equipamento será instalado no Rio Grande do Norte, escolhido, segundo o governo, por seu forte potencial energético. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do anúncio do investimento no Estado.

Integrantes do governo, sob condição de anonimato, disseram esperar que a fabricante norte-americana ‌de chips Nvidia vença a disputa, depois que a ministra da Ciência, Tecnologia e ‌Inovação, Luciana Santos, afirmou ⁠ao jornal Folha ⁠de S.Paulo na semana passada que previa a empresa como fornecedora.

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"A estratégia não é depender ⁠de uma única empresa, tecnologia ou ‌país", afirmou o governo federal ‌em nota, acrescentando que os investimentos buscam fortalecer a soberania nacional sobre dados gerados por serviços públicos e privados brasileiros.

Protagonista global na corrida da inteligência artificial, a China tem ampliado sua presença como principal parceira ⁠comercial do Brasil. Já os Estados Unidos seguem como a maior fonte de investimento direto estrangeiro no país, apesar de terem perdido participação no comércio e de terem imposto recentemente tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

Os investimentos serão financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico ‌e Tecnológico (FNDCT), com desembolsos parcelados.

O governo espera que o supercomputador entre em operação até o final do próximo ano, e que a infraestrutura de supercomputação ⁠em cooperação com as empresas chinesas opere a partir de julho.

Lula, que tem defendido reiteradamente autonomia estratégica em relação às grandes potências, enfrenta uma campanha presidencial para reeleição na qual seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), promete maior aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso seja eleito.

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O governo também anunciou nesta quinta-feira uma parceria com a Espanha baseada na arquitetura aberta RISC-V para o desenvolvimento de chips, planos para um serviço brasileiro de computação em nuvem por meio de parcerias público-privadas e a futura criação de um centro nacional de transparência algorítmica e IA confiável, que será operado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em IA da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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