A Europa aprendeu uma lição incômoda nos últimos anos: a transição energética não depende apenas de vontade política ou investimentos em energias renováveis, mas também de materiais que ela não controla. Tendo conseguido - não sem dificuldades - reduzir sua dependência do gás russo, a União Europeia agora enfrenta uma vulnerabilidade mais profunda e estrutural: o domínio quase absoluto da China sobre metais críticos e, em particular, sobre ímãs permanentes de terras raras.
Sem esses ímãs, não haveria carros elétricos, turbinas eólicas, robótica avançada e grande parte da indústria de defesa. No entanto, a França deu um passo que vai além do discurso político e pode mudar esse cenário.
Linha pioneira
O grupo Orano e a Comissão de Energias Alternativas e Energia Atômica (CEA) inauguraram uma linha piloto dedicada à reciclagem e remanufatura de ímãs permanentes de alto desempenho de terras raras nas instalações da CEA-Liten em Grenoble.
Como explicou a Orano, a infraestrutura tem capacidade piloto de até quatro toneladas e está equipada com tecnologias representativas de escala industrial, operada por uma equipe conjunta Orano-CEA. Os resultados técnicos do projeto são esperados até o final de 2026, com vistas a uma posterior implementação em larga escala por um operador industrial externo.
Resposta a dependência crítica
A importância do projeto vai muito além da sua dimensão técnica. Os ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro tornaram-se essenciais para o futuro industrial da Europa,...
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