EUA adiam inclusão de chinesa DeepSeek em lista de restrição comercial, dizem fontes

17 jun 2026 - 11h52

Os Estados Unidos adiaram a inclusão da startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek, da fabricante de chips de ‌memória CXMT e de mais de 100 outras empresas qualificadas como riscos à segurança nacional em uma lista de restrição comercial, segundo duas pessoas a par do assunto.

O adiamento ocorre em um momento em que o governo do presidente Donald Trump tenta evitar o agravamento das tensões com Pequim.

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Um comitê interagências no ano passado aprovou a inclusão da DeepSeek, da CXMT e de outras empresas na Lista de Entidades do Departamento de Comércio, o que está sendo divulgado pela primeira vez. A Reuters também está divulgando com exclusividade o grande número de empresas que aguardam a publicação na lista.

A DeepSeek, cujo modelo de IA de baixo custo causou comoção no mundo da tecnologia ⁠em janeiro de 2025, tem apoiado as operações militares e de inteligência da China, disse uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado dos EUA à Reuters no ‌ano passado. Ela acrescentou que a startup tentou usar empresas de fachada do Sudeste Asiático para acessar ilegalmente chips avançados dos EUA.

Este ano, a Anthropic afirmou ter identificado uma campanha da DeepSeek e de dois outros laboratórios chineses de IA para extrair ilegalmente recursos de sua plataforma de IA Claude, a fim de aprimorar seus próprios modelos. ‌Além disso, a OpenAI alertou os parlamentares de que a DeepSeek estava visando seus modelos.

Já a ChangXin ‌Memory Technologies, principal fabricante chinesa de chips de memória, foi designada como empresa militar pelo Departamento de Defesa do governo Biden. O Departamento de Comércio considerou ⁠incluí-la em sua Lista de Entidades há mais de um ano, segundo reportagens da Reuters e de outros veículos.

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Empresas norte-americanas não podem enviar mercadorias, software e tecnologia para empresas que constam na lista sem que obtenham uma licença, que provavelmente será negada.

A DeepSeek e a CXMT não puderam ser contatadas para comentar fora do horário comercial normal. O Departamento de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio, que supervisiona a lista, não respondeu diretamente às perguntas sobre por que as atualizações da Lista de Entidades não haviam sido publicadas desde o ano passado, nem comentou sobre a DeepSeek e a CXMT.

Quando solicitado a comentar, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os ‌EUA deveriam cessar de "politizar, instrumentalizar e usar como arma" questões econômicas, comerciais e tecnológicas.

A China tem se oposto consistentemente à interpretação ampla dos EUA sobre o conceito de segurança nacional ‌e ao abuso de medidas de controle de exportação, ⁠como a Lista de Entidades, para conter e ⁠reprimir empresas chinesas", disse o porta-voz Lin Jian em uma coletiva de imprensa regular nesta quarta-feira.

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RIVALIDADE

Os Estados Unidos e a China estão envolvidos em uma rivalidade tensa em torno de tecnologia, ⁠comércio e segurança nacional, com Washington utilizando tarifas e controles de exportação, enquanto Pequim mantém um domínio ‌absoluto sobre os minerais de terras raras de que ‌as empresas dos setores de defesa, automotivo e de fabricação de chips precisam.

Os EUA não publicaram nenhuma adição à sua Lista de Entidades desde outubro, o maior intervalo entre novas publicações em mais de uma década, disse Philip Luck, que estuda cadeias de suprimentos globais no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington.

"A Lista de Entidades é como o jogo 'bate na toupeira': você precisa continuar batendo nas toupeiras", disse Luck, referindo-se a um jogo de fliperama.

A ⁠ausência de novas inclusões provavelmente está permitindo que a tecnologia norte-americana chegue a adversários que poderiam usá-la contra os EUA, acrescentou.

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"O fato de os EUA não terem incluído nenhuma empresa na Lista de Entidades desde outubro demonstra que a política comercial está ofuscando o uso de uma ferramenta crítica de segurança nacional", disse Kevin Kurland, ex-funcionário do Departamento de Comércio.

Havia a previsão de inclusão na lista de várias empresas chinesas ligadas a drones operados pela Rússia, recuperados na Polônia em setembro passado, disse uma das fontes. Incluir essas empresas menos conhecidas é ainda mais importante para os fornecedores norte-americanos, que talvez ‌não conheçam a natureza de seus negócios, acrescentou.

Dezenas de outras empresas chinesas foram identificadas no ano passado como riscos à segurança nacional por venderem chips restritos da Nvidia para universidades chinesas, mas elas não foram adicionadas à lista, disse uma terceira fonte.

Empresas chinesas que fabricam e vendem drones e cães robóticos para as forças ⁠armadas do país também foram selecionadas como alvos em potencial, segundo a terceira fonte.

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Desde o fim de 2025, Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança, tem procurado evitar a inclusão de entidades chinesas na lista por temer o agravamento das tensões entre os dois países, segundo a primeira fonte e outras pessoas a par do assunto.

A escassez de inclusões na lista oferece uma visão do que muitos consideram ser um problema maior no Departamento de Indústria e Segurança durante o segundo mandato de Trump: a incapacidade de agir ou emitir novas regras para combater ameaças que poderiam ser reduzidas por meio da restrição de exportações.

No início do ano passado, por exemplo, o departamento afirmou que substituiria uma regulamentação criada durante o governo do ex-presidente Joe Biden para regulamentar o acesso global a chips de IA de origem norte-americana. No entanto, o departamento ainda não publicou uma regulamentação substituta e não está aplicando a regra anterior, abrindo uma brecha que pode ter permitido a exportação dos chips para empresas chinesas fora da China.

As decisões sobre a inclusão de uma entidade na lista são tomadas por um comitê interagências, que inclui autoridades dos departamentos de Comércio, Defesa, Energia, Relações Exteriores e, às vezes, do Tesouro. Mas as duas primeiras fontes afirmaram que o comitê aprovou empresas que ainda não tiveram seus nomes publicados na lista pelo Departamento de Comércio.

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Pelo menos 75 empresas chinesas nas áreas de produção avançada de semicondutores, fabricação de equipamentos para semicondutores e modelagem de IA foram avaliadas no comitê e tinham a previsão de inclusão na lista, disse uma das fontes.

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