Segundo o BCE, empresas da zona do euro usam majoritariamente recursos próprios para investir em inteligência artificial, ao contrário das gigantes norte-americanas, que recorrem a forte endividamento. Cerca de 72% das companhias europeias financiam a IA via fluxo de caixa ou lucros retidos, enquanto apenas 16% usam crédito bancário. Esse cenário expõe barreiras estruturais no ecossistema financeiro europeu, onde a falta de garantias tangíveis limita o acesso a crédito externo para intangíveis.
As empresas da zona do euro estão, em sua maioria, utilizando seus próprios recursos para investir em IA e enfrentam barreiras de financiamento, ao contrário de suas contrapartes norte-americanas, que se lançaram em uma onda global de endividamento para financiar sua expansão, segundo dados divulgados pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta sexta-feira.
Os gigantes da tecnologia dos EUA, frequentemente chamados de "hiperscalers" ou "Sete Magníficos", estão investindo centenas de bilhões de dólares em rápida expansão, e os empréstimos têm sido tão elevados que estão excluindo outros participantes -- até mesmo governos -- de alguns mercados de dívida.
Já a expansão da IA na Europa é mais modesta, e 72% das empresas afirmam que usarão recursos internos, como fluxo de caixa ou lucros retidos, para financiar os investimentos, informou o BCE em uma postagem no blog.
Cerca de 16% afirmaram que planejam utilizar empréstimos bancários, enquanto 6% das empresas mencionaram capital próprio e capital de risco. Apenas 1% estava considerando títulos de dívida, segundo a postagem no blog, que não representa necessariamente as opiniões do BCE.
"O papel limitado do financiamento externo levanta questões críticas sobre possíveis barreiras no ecossistema financeiro da zona do euro", afirmou o blog, argumentando que as empresas enfrentam obstáculos ao investir em ativos intangíveis.
É mais provável que as empresas recorram a financiamento externo quando investem em ativos tangíveis, como hardware ou infraestrutura de dados, já que esses ativos podem ser usados como garantia, acrescentou o blog.
"Isso pode indicar possíveis desafios estruturais que limitam o acesso ao financiamento para investimentos em ativos intangíveis", afirmou o blog.
Mais de 80% das empresas afirmaram que planejam utilizar apenas um único instrumento de financiamento, em vez de uma combinação, sendo que se tratava predominantemente de recursos internos.