Como uma fábrica que abre só dois meses por ano conquistou o mercado e virou a gigante do tomate em lata

Fundada em 1899, há três décadas era inimaginável que se tornaria o gigante que é hoje

12 set 2026 - 13h40
(atualizado em 13/9/2026 às 12h48)
Resumo
A italiana Mutti transformou o tomate em conserva em um negócio de 777 milhões de euros apostando na qualidade e na valorização da marca. O diferencial da empresa está em sua operação ultraconcentrada: a fábrica opera a pleno vapor apenas 70 dias por ano, entre julho e setembro. Nessa intensa janela de verão, a companhia processa toda a sua matéria-prima e define o resultado do ano, consolidando um crescimento de mais de 55 vezes nas últimas três décadas sob o comando da quarta geração da família.
Polpa de tomate Mutti
Polpa de tomate Mutti
Foto: Carrefour / Xataka

Entre todas as latas de tomate em conserva que podemos encontrar no mercado, uma se destaca de maneira extraordinária pela qualidade. A marca Mutti transformou algo tão cotidiano quanto uma lata de tomate em um negócio de 777 milhões de euros (R$ 4,6 bilhões). O extraordinário é que o coração dessa maquinaria industrial funciona a pleno vapor por apenas 70 dias por ano.

Entre julho e setembro, a fábrica de Montechiarugolo, perto de Parma, na Itália, funciona dia e noite, seguindo um calendário que praticamente não admite erros. Francesco Mutti, representante da quarta geração da família à frente da empresa, afirma que, em cerca de 70 dias, é preciso realizar 100% do processamento do tomate e aproximadamente 75% da fabricação dos produtos acabados.

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A intensidade é tamanha que a Mutti concentra durante a temporada cerca de três quartos de seu consumo anual de energia, transformando algumas poucas semanas de verão no período que determina boa parte dos custos e resultados de todo o exercício.

De 14 a 777 milhões

A transformação empresarial é ainda mais impressionante porque a Mutti, fundada em 1899, não era, há três décadas, a gigante que é hoje. Em 1994, faturava cerca de 14 milhões de euros; quinze anos depois, havia alcançado 118 milhões e, em 2025, chegou a 777 milhões, um crescimento de mais de 55 vezes em pouco mais de 30 anos.

Seu grande movimento foi tentar tirar o tomate em conserva da categoria de produto genérico e barato para transformá-lo em um alimento de marca e ...

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