Hoje existem diversas distrações na nossa vida: redes sociais, vídeos, celulares, videogames. Tudo na palma da nossa mão. Antigamente, no entanto, pessoas ficavam simplesmente sem nada para fazer, algo que precisamos ter de volta.
Quem quer ficar entediado?
Redes e celulares podem ser invenções relativamente modernas, mas a "alergia" ao tédio não é. Um dos pensadores mais proeminentes e midiáticos do século XX, o filósofo, matemático e escritor britânico Bertrand Russell, já refletia sobre isso em particular.
Em uma de suas muitas falas memoráveis, ele deixou uma frase precisamente sobreociosidade e tédio que hoje soa com uma força especial: "Uma geração que não suporta o tédio será uma geração de pouco valor."
Mas o que diabos Russell quer dizer com uma "geração de pouco valor"? É tão importante assim estar entediado? Afinal, a Europa em meados do século XX é uma coisa e nosso mundo hiperconectado é outra, o do TikTok, Spotify e Netflix. Qual é o sentido de tolerar o tédio em uma era de hiperprodutividade, a busca por eficiência a todo custo e em que não há bolso sem um celular?
Hoje sabemos que Russellnão estava equivocado. Pelo menos com base nas observações feitas há alguns anos pela Dra. Teresa Belton, da Universidade de East Anglia, que já nos anos 1990 começou a explorar como a televisão estava afetando o desenvolvimento infantil.
Seu trabalho foi apoiado por outros estudos anteriores, como pesquisas macro realizadas na década de 1980 no Canadá, ...
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