OMS: propagação de surto de ebola na África é "grave"

Surto na capital da Guiné, centro das viagens internacionais no país, representa a maior ameaça de uma epidemia

28 mai 2014 - 13h56
(atualizado às 14h14)
<p>Membros de organizações advertem a população quanto à propagação do surto de ebola na Guiné</p>
Membros de organizações advertem a população quanto à propagação do surto de ebola na Guiné
Foto: AP

A capital da Guiné, Conacri, registrou os primeiros novos casos de ebola em mais de um mês, enquanto outras áreas anteriormente não afetadas também tiveram casos confirmados na semana passada, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

A propagação do surto, que teve início há dois meses, e que as autoridades da Guiné haviam dito estar sob controle, pode complicar ainda mais a luta contra o vírus em uma área que já sofre com a precariedade os sistemas de saúde e fronteiras porosas.

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"A situação é grave. Você não pode dizer que está sob controle quando os casos continuam e estão se espalhando geograficamente", disse Pierre Formenty, especialista da OMS, que retornou recentemente da Guiné, em entrevista coletiva em Genebra nesta quarta-feira.

"Não houve declínio. Na verdade, é porque não estamos conseguindo detectar todo o surto, que estamos com a impressão de que houve uma queda", disse ele.

A OMS informou sobre dois novos casos, incluindo uma morte, entre 25 e 27 de maio em Conacri. Eles foram os primeiros a serem detectados desde 26 de abril. Um surto na capital representa a maior ameaça de uma epidemia, porque a cidade é o centro das viagens internacionais na Guiné.

Télimélé e Boffa - dois distritos ao norte de Conacri- tiveram casos confirmados por testes de laboratório, disse a OMS. Doze casos, incluindo quatro mortes, foram relatadas entre 23 e 26 de maio, enquanto casos suspeitos de ebola foram detectados nos distritos adjacentes de Boke e Dubreka.

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Aboubacar Sidiki Diakité, que comanda os esforços do governo para conter a disseminação do vírus, disse que as origens de todos os novos focos foram rastreadas até os casos em Conacri.

"O problema é que existem famílias que se recusam a dar informações aos profissionais de saúde. Elas escondem seus doentes para tentar tratá-los através de métodos tradicionais", disse ele à Reuters.

O surto inicial- a primeira aparição da febre hemorrágica fatal na África Ocidental - se espalhou a partir de uma região remota da Guiné para a capital e para a Libéria.

A Serra Leoa reportou o primeiro caso confirmado da doença no início desta semana.

A OMS documentou um total de 281 casos clínicos de ebola, incluindo 185 mortes na Guiné desde que o primeiro foco do vírus foi identificado em março.

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Foto: Arte Terra

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