A queda de energia no meio da tarde não decorre do almoço, mas de fatores biológicos explicados pelo modelo de dois processos. O estado de alerta humano é determinado pela interação entre o acúmulo gradual de adenosina — substância gerada desde o despertar que induz ao cansaço — e os ritmos circadianos, nosso relógio biológico regulado pela luz solar. Esse desânimo por volta das 15h ocorre quando o equilíbrio entre esses sistemas se altera, gerando a forte e natural necessidade de repouso diurno.
Existe um acontecimento curioso para quem trabalha o dia inteiro: nosso cérebro simplesmente parece querer parar de funcionar exatamente quando o relógio marca 14h ou 15h.
Esse desânimo que surge por volta das 15h é um fenômeno fascinante. Ainda está claro e o Sol brilha no alto do céu, mas o nosso ritmo biológico simplesmente perde a força. Sentimos uma vontade incontrolável de tirar um cochilo para conseguir continuar o dia — e, quando isso não é viável, o café vira nosso melhor amigo. Mas por que isso acontece? Entender esse mecanismo é o primeiro passo para tentar contornar a sonolência.
O modelo de dois processos
A nossa capacidade de permanecer em alerta ou de sentir sono é regida pelo chamado modelo de dois processos. Como o próprio termo indica, trata-se de duas engrenagens biológicas distintas que trabalham de forma simultânea.
De um lado está o acúmulo de adenosina: assim que acordamos, nosso cérebro passa a produzir gradualmente essa molécula associada à sonolência. Se ela atuasse sozinha, ficaríamos progressivamente mais cansados a cada minuto desde a hora em que abrimos os olhos. Na prática, não é o que acontece. Depois do café da manhã e de começar a rotina, costumamos encarar boas horas de energia e produtividade — considerando, claro, uma noite de sono adequada.
Esse equilíbrio ocorre porque o impacto da adenosina é contrabalançado pelo segundo processo: os ritmos circadianos. Esse relógio interno é regulado fundamentalmente pela luz: a claridade do dia ...
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