A psicologia questiona se as crianças das décadas de 60 e 70 eram mais fortes; o segredo está na forma como as deixavam crescer

Crescer brincando na rua sem a vigilância dos pais ajuda, mas isso não significa que seja melhor

20 out 2026 - 13h08
Resumo
Embora exista o senso comum de que as crianças das décadas de 1960 e 1970 eram mais fortes devido à maior liberdade, a psicologia contesta essa visão com base em dados. A análise de dezenas de estudos indica que, se por um lado a superproteção parental moderna favorece sintomas de ansiedade e depressão, por outro, a suposta autonomia do passado também apresentava aspectos negativos, não comprovando que as gerações anteriores fossem emocionalmente superiores ou verdadeiramente mais resilientes.
A psicologia questiona se as crianças das décadas de 60 e 70 eram mais fortes. O segredo está na forma como as deixavam crescer.
A psicologia questiona se as crianças das décadas de 60 e 70 eram mais fortes. O segredo está na forma como as deixavam crescer.
Foto: Xataka

Seria estranho se algum boomernão tivesse te abordado com aquele papo de que, antigamente, as crianças eram mais fortes. Sabe aquela história de sair de casa de manhã e voltar só à noite, de trocar pedradas com outras crianças e, no dia seguinte, continuarem sendo grandes amigos — tudo porque conseguiam resolver seus próprios problemas sem os pais por perto?

Eles afirmam que as crianças dos anos 60 e 70 cresceram com uma liberdade que as tornou mais "casca-grossa" e que, nessa transição geracional, nós, que viemos depois, somos feitos de um material diferente. A psicologia, por outro lado, não tem tanta certeza disso.

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E ela provou isso com dados. Por meio de 52 pesquisas, foi analisada a relação entre a superproteção dos pais atuais e o impacto disso nos problemas emocionais dos filhos — e, por outro lado, o que acontece quando nos deparamos com o outro lado da moeda.

O que a psicologia descobriu sobre a superproteção

Para sustentar sua narrativa, alguns podem argumentar que o excesso de proteção atual, de fato, gera mais sintomas de ansiedade e depressão em casos específicos; mas isso não prova, na realidade, que as crianças dos anos 60 e 70 fossem psicologicamente mais fortes. Existe um lado bastante desagradável nessa suposta liberdade.

Ao estudar 2.213 crianças australianas para verificar como a brincadeira livre afetava seu desenvolvimento, observou-se que aquelas que passavam mais tempo sem um adulto direcionando suas ações — o que deviam ou não fazer — conseguiam ...

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