Avanço da IA traz riscos sobre sinais de inflação avaliados por bancos centrais

28 jul 2026 - 16h09

O boom da inteligência artificial ‌pode tornar significativamente mais difícil para bancos centrais avaliarem a situação da economia e definirem taxas de juros, já que a tecnologia estimula simultaneamente tanto a demanda quanto a oferta, afirmou o Banco de Compensações Internacionais nesta terça-feira.

Em um boletim sobre as implicações econômicas da IA, o grupo que ⁠reúne os bancos centrais afirmou que os formuladores de políticas enfrentam uma tarefa ‌excepcionalmente difícil, já que a IA gera efeitos poderosos nos setores de investimento, comércio e mercados financeiros muito antes que quaisquer ganhos generalizados ‌de produtividade se tornem plenamente visíveis.

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O atual aumento ‌nos gastos com IA, cada vez mais financiado por dívida, ⁠já está impulsionando a atividade econômica e o comércio, além de fomentar ganhos nos mercados acionários — fatores que podem agravar as pressões inflacionárias no curto prazo.

Ao mesmo tempo, a IA pode, eventualmente, aumentar a produtividade e a capacidade, expandindo a oferta e ajudando a conter a inflação. O desafio ‌para os formuladores de políticas é que a magnitude, o momento e a ‌distribuição desses ganhos permanecem ⁠altamente incertos.

"Ao afetar ⁠simultaneamente a demanda e a oferta, a IA obscurece os sinais cíclicos", afirmou o BIS, ⁠alertando que isso pode complicar a ‌avaliação dos bancos centrais ‌sobre as condições econômicas subjacentes e o ajuste da política monetária.

Um risco imediato é a interpretação equivocada do forte crescimento impulsionado pelos investimentos em IA. Gastos robustos em centros de dados, chips e infraestrutura ⁠digital podem parecer um sinal de superaquecimento da economia, mesmo que parte da expansão reflita aumentos de longo prazo no potencial produtivo.

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Por outro lado, os ganhos de produtividade podem mascarar as pressões da demanda, tornando as tendências inflacionárias mais difíceis de interpretar.

O ‌BIS também destacou o impacto desigual da IA entre os países e nos mercados de trabalho. Economias que são grandes fornecedoras de chips, infraestrutura ⁠de computação ou serviços relacionados à IA podem desfrutar de um crescimento mais forte, enquanto outras podem ficar para trás.

Essa divergência pode levar a trajetórias diferentes de inflação e crescimento, aumentando a complexidade da política monetária entre as jurisdições.

Os efeitos nos mercados financeiros representam outro desafio. O otimismo em relação à IA impulsionou ganhos rápidos no mercado de ações, criando efeitos de riqueza que podem sustentar o consumo e a demanda, mas também aumentou o risco de bolhas nos preços dos ativos.

O BIS não chegou a fazer recomendações de política, mas afirmou que os bancos centrais precisam distinguir os booms temporários de investimento das melhorias duradouras de produtividade para evitar o risco de "calibração incorreta da política".

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