Durante grande parte da Guerra Fria, a Europa assumiu que seu papel industrial na defesa era secundário em relação ao poderio americano e que a produção em massa de munições ficava do outro lado do Atlântico. Oito décadas depois, essa lógica começa a se inverter: não porque o continente esteja totalmente rearmado, mas porque uma única empresa europeia já é capaz de fabricar mais balas em um ano do que toda a indústria militar dos Estados Unidos.
O gatilho geopolítico
A mudança na política americana sob o comando de Trump, com insinuações tão extremas como a possível anexação da Groenlândia e uma pressão crescente para que a Europa assuma sua própria defesa, reabriu uma questão que durante décadas parecia desnecessária: se o continente seria capaz de se armar e se defender sem os Estados Unidos.
A resposta dos analistas e responsáveis políticos é afirmativa, mas com nuances importantes, porque substituir o escudo militar americano (desde pessoal até equipamentos e capacidades críticas) teria um custo estimado em cerca de um trilhão de dólares e exigiria anos de transformação industrial e estratégica.
Lembrei-me de uma informação publicada recentemente pelo Wall Street Journal: após décadas de subfinanciamento e fragmentação, a indústria europeia de defesa vive o seu maior crescimento desde a Guerra Fria, impulsionada pela guerra na Ucrânia e por um aumento maciço dos gastos militares.
A produção de drones, munições, veículos blindados e sistemas terrestres disparou, com novas ...
Matérias relacionadas
Uma pessoa sortuda encomendou um cartão microSD para o seu Nintendo Switch na Amazon e recebeu nove!