Zé Felipe fala sobre crises de ansiedade e saúde mental: 'Era uma fuga'
Cantor relembra fase difícil, revela excesso de medicação e destaca a importância de buscar ajuda para cuidar da saúde mental
Falar sobre saúde mental ainda é um desafio para muitos, especialmente entre os homens. Mas, aos poucos, esse cenário tem mudado. Em participação recente no Podcats, Zé Felipe decidiu compartilhar uma fase delicada que viveu no último ano, marcada por crises de ansiedade e uso excessivo de medicamentos.
Durante a conversa, o cantor contou que chegou a um ponto preocupante ao tentar lidar com o que estava sentindo. "Eu passei por umas... Tive crise de ansiedade. Estava muito viciado em remédio, então, eu tomava, sei lá, 10 comprimidos para dormir, mais 35 gotas de um outro", revelou.
Quando o excesso vira alerta
O momento mais crítico aconteceu quando ele percebeu que algo estava fora do controle. Ao se olhar no espelho após tomar os remédios, notou uma reação incomum no próprio corpo. "Eu falei, meu Deus, velho. Fui para a cama e dormi. No dia, eu acordei e falei: 'meu Deus, eu tenho três filhos, o que eu estou fazendo da minha vida?", contou.
Pai de três crianças, o cantor descreve esse episódio como um ponto de virada - quando passou a questionar seus hábitos e a forma como vinha lidando com as próprias emoções.
A ansiedade por trás do comportamento
Ao refletir sobre o período, Zé Felipe reconheceu que o uso de medicamentos não era apenas uma tentativa de descansar, mas uma forma de escapar da realidade. "Eu entendi que era uma fuga. Eu estava tomando esse tanto de remédio para dormir, às vezes à tarde, para fugir de uma realidade e tentar mascarar uma coisa que eu estava sentindo", admitiu.
A fala evidencia algo comum em quadros de ansiedade: a busca por alívio imediato, que pode acabar criando outros problemas quando não há acompanhamento adequado.
Como tudo começou
O cantor também relembrou sua primeira crise de ansiedade, vivida durante um voo noturno após um show. Na época, ele não conseguia entender o que estava acontecendo. "Dor no peito, falta de ar. Parecia que eu tinha corrido uma maratona. Eu falei: meu Deus, será que eu vou morrer aqui dentro desse avião? A mão suando. Fiquei quietinho, sem entender nada", disse. A experiência, intensa e assustadora, é semelhante ao que muitas pessoas relatam ao enfrentar uma crise pela primeira vez.
O caminho da recuperação
Depois do susto, veio a decisão de buscar ajuda. Zé Felipe procurou acompanhamento profissional, iniciou terapia, passou por avaliação psiquiátrica e realizou exames, que apontaram alterações como vitamina D baixa e níveis elevados de cortisol, hormônio relacionado ao estresse.
Além disso, incorporou mudanças na rotina, como a prática de exercícios físicos, um dos aliados importantes no controle da ansiedade. Ao falar sobre esse processo, ele também fez um alerta sobre o preconceito ainda existente em relação ao cuidado com a saúde mental. "O homem, às vezes, tem preconceito com terapia, preconceito de ir a um psiquiatra. Eu falo: eu vou a um psiquiatra. A terapia é maravilhosa, mano", afirmou.
Quando o corpo também fala
Durante o período, o cantor também enfrentou alterações hormonais, com queda significativa nos níveis de testosterona, o que impactou diretamente sua energia e disposição. "O meu nível chegou a 100. Se falassem que eu estava bonito, eu chorava. Não tinha energia pra fazer o show, pra nada", contou.
Segundo ele, o uso excessivo de medicamentos pode ter contribuído para esse quadro. "Começa a dar pedra no peito. É uma desgraça. Mas eu acho que o que me lascou, que fez tudo abaixar, foi a quantidade de remédio. Estava tomando muito remédio. Nossa, muito remédio. Remédio pra agitar, remédio pra dormir, remédio pra acordar, remédio pra piscar…", relatou. Hoje, o artista afirma que não faz mais uso dessas medicações.
Falar também é cuidar
Ao compartilhar sua história, Zé Felipe ajuda a trazer luz para um tema ainda cercado por silêncio: o sofrimento emocional e as formas (nem sempre saudáveis) de lidar com ele.
Mais do que um relato pessoal, sua fala reforça a importância de reconhecer sinais, buscar ajuda e entender que cuidar da saúde mental não é fraqueza, mas um passo essencial para viver com mais equilíbrio. Porque, muitas vezes, o primeiro movimento de mudança começa justamente quando a gente para de fugir do que sente.
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