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Você conhece os estágios do Alzheimer?

Especialista explica cada um deles e a importância do diagnóstico precoce

6 mai 2026 - 15h03
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Avanços científicos abrem caminho para diagnóstico mais precoce e terapias direcionadas

A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, representando até 70% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas convivam com a doença, número que deve crescer com o envelhecimento populacional.

Foto: Revista Malu

Estudos científicos mostram que alterações biológicas associadas à doença podem ser identificadas 15 a 20 anos antes do início clínico dos sintomas. Exames laboratoriais e de imagem identificam essas alterações por meio de biomarcadores. Apesar disso, o diagnóstico ainda ocorre, na maioria das vezes, em fase moderada. Isso significa que a doença já está em um estágio em que os sintomas são claros e interferem na autonomia. O que muitos não sabem é que o processo que leva à Doença de Alzheimer pode começar até duas décadas antes dos primeiros sintomas, em um estágio chamado pré-clínico, marcado por alterações biológicas no cérebro, mas sem manifestações evidentes.

Para o neurologista Diogo Haddad, é essencial observar sinais que vão além do esquecimento eventual. "Perder compromissos ocasionalmente é diferente de esquecer fatos recentes de forma recorrente, ter dificuldade de organizar tarefas habituais ou apresentar mudanças comportamentais sem explicação. Esses sinais merecem investigação. Hoje sabemos que o Alzheimer possui uma longa fase pré-clínica, marcada por alterações biológicas detectáveis anos antes dos sintomas. O que torna essa janela estratégica para diagnóstico mais precoce e intervenções direcionadas", afirma o especialista, neurologista Coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos.

Quais são os estágios do Alzheimer?

De forma simplificada, o Alzheimer evolui em três fases:

  • Fase pré-clínica: alterações cerebrais silenciosas, sem sintomas aparentes.
  • Fase leve: falhas de memória recente, dificuldade para organizar tarefas e pequenas mudanças comportamentais.
  • Fase moderada a avançada: perda progressiva de autonomia, dificuldade para reconhecer pessoas e dependência para atividades básicas.

Segundo Diogo Haddad, o atraso no diagnóstico está ligado à banalização dos sinais iniciais e ao receio das famílias em procurar ajuda. "Ainda observamos muitos pacientes chegando ao consultório quando a doença já compromete significativamente a autonomia. Isso ocorre porque as pessoas frequentemente banalizam os sintomas iniciais como 'envelhecimento normal' A identificação precoce depende de uma avaliação estruturada, com investigação clínica e, quando indicado, uso de biomarcadores."

Esses biomarcadores indicam alterações relacionadas à doença e podem ser detectados no líquor, no sangue ou por neuroimagem. O que permite um acompanhamento mais precoce e planejamento adequado.

Por que o diagnóstico precoce é estratégico?

O avanço da neurologia tem ampliado as ferramentas diagnósticas, incluindo biomarcadores, exames de imagem e testes genéticos, especialmente nos casos de suspeita de Alzheimer de início precoce e quando os sintomas aparecem antes dos 60 anos ou acima dos 65 anos.

De acordo com Roberto Giugliani, médico geneticista de Doenças Raras da Dasa Genômica, parte dos casos de início precoce pode estar associada a variantes genéticas específicas. "Embora a maioria dos casos de Alzheimer sejam esporádicos, para um grupo de pacientes, principalmente para aqueles com início precoce ou com relato de casos similares na família, a investigação genética é fundamental. O teste pode auxiliar no esclarecimento diagnóstico, no aconselhamento familiar e na definição de condutas", explica.

Um dos exames já disponíveis no Brasil é o Painel NGS para Alzheimer de início precoce, que utiliza a tecnologia de sequenciamento de nova geração (Next Generation Sequencing - NGS) para analisar genes associados às formas hereditárias da doença. O exame é realizado a partir de uma coleta simples de sangue (ou saliva), com extração do DNA e análise simultânea de múltiplos genes ligados ao Alzheimer familiar. Por se tratar de um teste genético com implicações clínicas e familiares, é necessário pedido médico e recomendável acompanhamento com especialista, incluindo aconselhamento genético. É importante destacar que o exame não confirma isoladamente o diagnóstico da doença, mas identifica mutações associadas à predisposição genética, sendo indicado principalmente para casos de início precoce ou com histórico familiar relevante.

Um alerta para famílias e profissionais de saúde

Para finalizar, os especialistas reforçam que o Alzheimer não é uma consequência natural do envelhecimento e é justamente por isso que o reconhecimento precoce da doença faz diferença. Identificar os sinais iniciais permite planejamento familiar, intervenções terapêuticas mais oportunas e acesso a novas abordagens que estejam em desenvolvimento. Nesse contexto, diante do envelhecimento acelerado da população brasileira, discutir os estágios do Alzheimer e ampliar o acesso ao diagnóstico clínico e genético torna-se uma prioridade estratégica de saúde pública.

Revista Malu Revista Malu
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