Veias saltadas e meias rasgadas: por que as pernas de Jude Bellingham chamam atenção na Copa?
Aparência das pernas do inglês viralizou nas redes sociais, mas especialista explicam que o fenômeno costuma ser comum entre atletas de alto rendimento
As pernas de Jude Bellingham se tornaram um dos assuntos mais comentados da Copa do Mundo de 2026. Além das atuações em campo, o meia da Inglaterra chamou atenção pelas veias extremamente aparentes nas coxas e pelas meias rasgadas, usadas para aliviar a pressão sobre a panturrilha. Nas redes sociais, muitos internautas chegaram a questionar se a aparência poderia indicar algum problema de saúde.
Segundo o professor de Anatomia Adam Taylor, da Universidade de Lancaster, em artigo publicado no 'The Conversation', a resposta, na maioria dos casos, é não. As veias visíveis costumam ser uma consequência natural da combinação entre baixa gordura corporal, musculatura desenvolvida e anos de treinamento intenso.
Destaque na Copa: veias de Jude Bellingham
As chamadas veias superficiais ficam logo abaixo da pele. Em atletas de elite, elas tendem a aparecer com mais facilidade porque existe menos gordura cobrindo essa região. Além disso, durante o exercício, os músculos precisam de mais oxigênio. Como consequência, o fluxo sanguíneo aumenta e as contrações musculares ajudam a impulsionar o sangue de volta ao coração, deixando essas veias temporariamente mais dilatadas.
""Exercícios de alta intensidade podem reduzir a massa gorda, enquanto anos de treinamento fortalecem a musculatura das pernas. Essa combinação favorece a visibilidade das veias superficiais", explicou o especialista.
O clima também influencia. Como a seleção inglesa disputou partidas e treinamentos sob temperaturas elevadas durante a Copa, o corpo precisou dissipar mais calor. Para isso, os vasos sanguíneos da pele se dilatam, aumentando ainda mais a aparência das veias.
Shorts de restrição de fluxo sanguíneo
Outro detalhe observado por torcedores foi o uso de shorts com restrição de fluxo sanguíneo (BFR, na sigla em inglês), um recurso adotado pela seleção inglesa durante treinamentos e recuperação física.
Essas peças possuem faixas ajustadas na parte superior das coxas, reduzindo parcialmente o retorno do sangue pelas veias enquanto mantêm a chegada de sangue oxigenado pelas artérias. O objetivo é potencializar os efeitos do treino mesmo com cargas menores, além de auxiliar processos de reabilitação.
Segundo o especialista, esse tipo de equipamento pode fazer as veias parecerem mais dilatadas temporariamente. No entanto, não existem evidências de que provoquem alterações permanentes na vascularização.
Pesquisas também indicam que a técnica pode favorecer o ganho de força muscular. Apesar disso, Taylor alerta que ela deve ser realizada apenas com acompanhamento profissional, já que o uso inadequado pode causar dormência, hematomas, tontura e, em situações mais graves, lesões musculares.
Quando as veias merecem atenção?
Embora as imagens de Bellingham tenham despertado curiosidade, o professor destaca que veias aparentes, por si só, geralmente não representam um problema. O cenário muda quando surgem sintomas como dor, endurecimento, vermelhidão, calor local ou inchaço. Nesses casos, pode haver doenças como varizes, tromboflebite superficial ou até trombose venosa profunda, que exigem avaliação médica.
"Para Bellingham e muitos outros jogadores de futebol de elite, uma rede de veias visíveis provavelmente reflete sua composição corporal e anos de treinamento. Exercícios, calor e roupas de recuperação podem tornar essas veias momentaneamente mais evidentes. Fora dos campos, veias que se tornam dolorosas, inchadas, quentes ou endurecidas merecem atenção médica, e não admiração nas redes sociais", concluiu Taylor.
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