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Vape com efeito 'ice': novo estudo acende alerta vermelho para a saúde cardíaca

Pesquisadores descobriram que os compostos químicos usados para dar refrescância aos cigarros eletrônicos aumentam o risco de arritmias graves

16 jun 2026 - 14h37
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O hábito de usar cigarros eletrônicos ganhou as ruas e se tornou parte da rotina de muitos jovens e adultos. No entanto, as versões do vape que trazem uma sensação refrescante — os famosos sabores mentolados e "ice" — acabam de entrar na mira da ciência por um motivo preocupante. Um novo alerta indica que esses produtos podem esconder um risco extra e silencioso para a saúde do coração.

Pesquisadores descobriram que os compostos químicos usados para dar refrescância ao vape aumentam o risco de arritmias graves
Pesquisadores descobriram que os compostos químicos usados para dar refrescância ao vape aumentam o risco de arritmias graves
Foto: Getty Images Signature/sestovic / Bons Fluidos

O perigo por trás do frescor

Um estudo publicado na revista científica Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology revelou que os ingredientes responsáveis por aquela sensação gelada na garganta podem desregular o ritmo cardíaco. Contudo, o maior perigo está no aumento do risco de arritmias. Essa condição médica, em cenários mais graves, tem potencial para evoluir para uma parada cardíaca.

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos. O foco dos pesquisadores foi analisar o impacto de dois agentes resfriantes sintéticos muito comuns na indústria do vape: o WS-3 e o WS-23. Os compostos são amplamente utilizados pelas marcas para criar o efeito gelado durante a inalação, sem que isso mude o sabor principal do produto.

Impactos do vape no organismo

Para entender como o corpo reage a essa mistura, os especialistas realizaram testes em laboratório utilizando células cardíacas humanas. Os resultados chamaram a atenção da comunidade médica:

  • Batimentos prematuros: Os agentes refrescantes provocaram oscilações na frequência cardíaca.
  • Efeito multiplicado: Em alguns testes, a substância WS-23 chegou a triplicar os episódios de batimentos cardíacos irregulares quando comparada aos vapes que tinham apenas nicotina.
  • Células sob estresse: Nas células humanas, os compostos mantiveram a normalidade em momentos de repouso. Por outro lado, o ritmo mudou quando as células foram submetidas a condições que simulavam o estresse hormonal. Esse cenário é semelhante ao impacto da nicotina no organismo.

De acordo com as conclusões do cientista Alex Carll, que liderou o mapeamento da pesquisa, esses aditivos químicos que geram refrescância têm a capacidade de interferir no tempo de resposta do coração. Na prática, o órgão se prepara no momento errado para o batimento seguinte, o que abre caminho para descompassos perigosos. Além disso, o especialista pontuou que o problema se mostrou mais severo nos produtos com essência de menta ou gelo do que naqueles que simulam o gosto tradicional do tabaco.

De qualquer forma, entidades como a American Heart Association reforçam que, embora os cigarros eletrônicos tenham menos substâncias tóxicas do que o cigarro comum, eles continuam longe de ser seguros. O vapor ainda carrega nicotina, metais pesados e outros componentes que podem agredir o coração e os pulmões.

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