Triângulo Dourado é o melhor caminho para conhecer a Índia

13 fev 2009
13h04
atualizado às 13h41
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O primeiro contato com a Índia pode causar choque e estranhamento. O caos impera e todos os seus sentidos são estimulados. Com tantos chamarizes, é difícil saber por onde começar. Para os turistas de primeira viagem, um bom caminho para conhecer esse país desafiador é optar pelo Triângulo Dourado - região do noroeste da Índia, ao sul da Cordilheira do Himalaia, que tem Nova Déli, Agra e Jaipur como as extremidades de um triângulo perfeito e forma um dos tesouros turísticos indianos.

O Taj Mahal é uma das Sete Maravilhas do Mundo
O Taj Mahal é uma das Sete Maravilhas do Mundo
Foto: stock.xchng / Divulgação



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As três cidades guardam verdadeiras jóias históricas, além das cores, cheiros e movimentos que marcam nosso ideário de "como a Índia deve ser". É nesse triângulo que se encontra, por exemplo, o Taj Mahal.



Porta de entrada

Não há lugar melhor do que a capital indiana, Nova Déli, para ver a confluência entre os valores tradicionais do país e as tentações da vida moderna. Elegantes indianas vestidas com sáris coloridos carregam com orgulho suas bolsas Louis Vuitton; jovens de terno conversam em seus modernos celulares, ao mesmo tempo em que miseráveis aleijados seguem a sina da sua casta e mendigam para viver.



Déli virou o centro administrativo da Índia depois da independência, em 1947, quando o país deixou de ser colônia britânica. Além da língua - o inglês ainda é usado para fazer negócios e pedir lanches no McDonald¿s -, outra das heranças deixadas pelos colonizadores é a mão inglesa do tráfego. Assim, automóveis, táxis e ônibus trafegam pela pista da esquerda, e ainda circulam pelas ruas riquixás (espécie de pequena charrete puxada por homens), bicicletas, vacas, camelos e até um ocasional elefante.



A rua mais antiga da capital, Chandni Chowk (ou Praça do Luar, em tradução livre), é um ótimo exemplo de quão confusa e caótica Nova Déli pode ser. Espécie de "25 de Março indiana" (a famosa rua de comércio popular na cidade de São Paulo), Chandni Chowk é abarrotada de pessoas e tendas que lembram os camelódromos brasileiros. Nela, as buzinas dos riquixás são ensurdecedoras e os comerciantes, mais do que perseverantes - provavelmente vão insistir muito para você levar alguma coisa. Além de lojas, a rua também abriga restaurantes e templos de várias religiões.



Em uma das pontas de Chandni Chowk está o Lahore Gate, entrada da antiga residência oficial da família real do Império Mughal, o Red Fort. Datado do século XVII e construído pelo imperador Shah Jahan, o Red Fort é um dos complexos arquitetônicos mais importantes do país; uma síntese das artes indiana, persa e européia que, juntas, formam um estilo próprio. No feriado da Independência, 15 de agosto, é nesse monumento que o primeiro-ministro indiano faz seu pronunciamento à nação.



Erguido pelos britânicos, o Connaught Place é outra importante área comercial da cidade. O local é facilmente reconhecível por seu formato circular. A seu redor, estão hotéis, restaurantes, livrarias e correio. Não se espante se for abordado por indianos. Se quiserem levá-lo para uma agência de turismo, recuse: trata-se de golpes para vender passeios a preços elevados. Afinal, você é um estrangeiro.



Ao lado do Connaught Place está o bem-cuidado Cinema Regal. Assistir a um filme indiano é uma experiência que não pode ser cortada de seu roteiro. Bollywood, a indústria cinematográfica do país, é muito forte em toda a Ásia. Os longa-metragens se diferenciam das produções hollywoodianas por conterem doses ainda maiores de melodrama, música e dança. A barreira lingüística não atrapalha, mesmo nos filmes falados em híndi: a estrutura é bastante simples e o inglês aparece em vários diálogos.



Antes de começar a exibição, uma bandeira da Índia tremula na tela e o hino do país é tocado. A platéia se levanta solenemente e escuta o hino em silêncio. Na Índia, ir ao cinema é um ato patriótico.



Monumento ao amor

A duas horas de trem de Nova Déli, seguindo na direção sul, está Agra, palco do imponente Taj Mahal. A construção, indiscutivelmente, merece seu lugar no pódio das sete maravilhas do mundo moderno. É parada obrigatória.



O grandioso monumento foi erguido entre 1630 e 1652 em homenagem ao amor. É o mausoléu da esposa preferida do imperador Shah Jahan, chamada Mumtaz Mahal, que morreu ao dar à luz o 14º filho do monarca. O Taj, como é conhecido, se situa sobre o túmulo de Mumtaz. O amor de Shah Jahan é feito de mármore e pedras semipreciosas; a cúpula do mausoléu tem fios de ouro, e ele é cercado por duas mesquitas e quatro minaretes (torres). Antes de subir as escadas para ver o mausoléu, é preciso tirar os sapatos, para não macular o mármore branco da edificação. Aqui, o amor é sagrado.



Além do Taj Mahal, a cidade de Agra guarda mais símbolos da imponência de seu passado, como tumbas de governantes poderosos e o Agra Fort. Deste, é oferecido um outro ângulo do Taj: ele pode ser visto à distância, das janelas da fortaleza que funcionava como palácio real dos imperadores da dinastia Mughal. De acordo com a história local, o forte serviu de prisão a Shah Jahan, que foi destronado por seu filho. Mesmo privado de sua liberdade, ele podia contemplar o monumento feito em memória de sua esposa.



"Cidade Rosa"

Várias histórias tentam explicar porque Jaipur, a 259 quilômetros de Nova Déli, é chamada de "Cidade Rosa". Os guias têm sua versão preferida: segundo eles, o rosa representa a hospitalidade. Jaipur teria pintado seus edifícios, muros e templos com esse tom para acolher o então príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VII, que visitou a cidade em 1876.



A cada dez anos, o governo local renova a cor - que, na verdade, é terracota, um rosa mais alaranjado. A última vez foi em 2000. Enquanto a cidade ganha cara nova, algumas ruas são bloqueadas para os carros, o que torna as demais um caos. Procure esquecer os congestionamentos e se dirija para a área dos palácios antigos, que servem de refúgio para a agitação de Jaipur.



Com cinco andares e um grande pátio interno, o Hawa Mahal ("Palácio dos Ventos"), é um edifício largo que, vendo de fora, se assemelha a uma grande colméia esculpida em arenito rosado. Essa impressão é passada pela construção com inúmeros balcões octogonais, perfurados por centenas de nichos. As 953 pequenas janelas permitiam às mulheres do harém do marajá (monarca local) observar o que acontecia na rua sem serem vistas. O local serviu de cenário para algumas passagens românticas da novela global

Caminho das Índias

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Pelas frestas do palácio, é possível ter uma visão privilegiada do observatório astronômico de Jantar Mantar, o maior construído durante o governo do marajá Jai Singh II, monarca fascinado pelo céu e pelas estrelas. O Jantar Mantar reúne uma série de instrumentos astronômicos em grande escala e, para saber como funciona cada um deles, é recomendável pagar um guia na entrada.



Inclua em seu roteiro

- Templo Bahá'i, em Nova Déli: Em formato de flor-de-lótus, pertence à religião bahá'i, que prega que o homem serve a um Deus único.


- Fatehpur Sikri, a 40 quilômetros de Agra: Cidade histórica com monumentos bem preservados.


- Royal Gaitor, em Jaipur: Complexo localizado fora das muralhas da cidade, erguido em memória de reis mortos.



Roubadas

- Não dê ouvidos aos taxistas que afirmarem conhecer um hotel mais barato do que o seu. É golpe: eles ganham comissão por cliente.


- Cuidado ao tirar fotos com locais. É comum cobrarem taxa depois do clique.


- Para o bem da sua barriga, é recomendável não comer iguarias em barraquinhas nas ruas. Água, só de garrafa.



Onde ficar

- The Imperial, Nova Déli (www.theimperialindia.com): Contendo uma alameda com palmeiras, o hotel cinco estrelas de 1931 oferece piscina, spa e fitness center. A diária custa cerca de R$ 371.


- Umaid Mahal, Jaipur (www.umaidmahal.com): Propriedade três estrelas que parece um castelo. Oferece quartos decorados em estilo rajput e com varandas. A diária chega a R$ 174.



- Rose Home Stay, Agra (www.rosehomestay.com): Um dos atrativos do albergue é o amigável casal que o administra. Próximo do Taj Mahal, ele possui quartos limpos a R$ 20.



Onde comer

- Govinda: O buffet totalmente vegetariano é delicioso. Aos domingos, oferece 56 pratos diferentes. Onde: ISKCOM Temple Complex, Sant Nagar Main Road, East of Kailash, Nova Déli. Informações: (00xx 91) 11-2621-4820.



- Lassiwala: Famoso na cidade pelos lassis (bebida fria feita de iogurte, muito comum na Índia). Onde: Tiwari Building, MI Rd, Ashok Nagar, Jaipur. Informações: (00xx91) 93-2378692.



- Mughal Room: Localizado na cobertura do Hotel Clark Shiraz, o restaurante de culinária indiana e chinesa oferece belas vistas do Taj Mahal e do Forte de Agra. Onde: 54 Taj Rd, Sadar Bazaar Area, Agra. Informações: (00xx91) 93-2226121.

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Fonte: Especial para Terra
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