Ruínas etíopes escondem reino mítico
Visitar a Etiópia é mais que pisar nas terras onde arqueólogos encontraram os mais antigos esqueletos humanos - com cerca de 200 mil anos. No norte do país, próxima à fronteira com a Eritréia, a cidade de Axum tem ruínas de monumentos e tumbas daquele que foi o mais importante reino africano dos dez primeiros séculos da era cristã.
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da Etiópia
Como a cidade, esse reino se chamava Axum (também escrito Aschoum, Axoum ou Aksum) e teve seu apogeu no século V depois de Cristo, quando foi considerado a posição comercial e estratégica mais importante entre o Império Persa (correspondente à região do atual Irã) e o Império Romano do Oriente (cuja capital era Constantinopla, hoje Istambul).
Construídos entre os séculos I e XIII, os monumentos de Axum garantiram a inclusão da Etiópia na lista de Patrimônios da Humanidade, da Unesco. Em sua paisagem, destacam-se 176 obeliscos gigantes (o maior tem 33 metros de altura), esculpidos com os emblemas reais do reino e colocados junto às tumbas reais, que podem ser visitadas.
Em setembro de 2008, o segundo mais alto obelisco de Axum foi reinstalado em seu lugar original. Com 24 metros de altura, 1.500 toneladas e cerca de 1.700 anos de idade, a peça havia sido retirada da Etiópia em 1937 por tropas de Mussolini, que o instalaram em Roma.
Menos material que o patrimônio tombado pela Unesco e não menos valoroso é o clima de mistério conferido à Axum pela crença de que em seu território estariam a arca da aliança (cofre que abrigaria as tábuas com os Dez Mandamentos) e a casa da rainha de Sabá - reino que existiu entre do século 16 ao 1 antes de Cristo entre a Península Arábica e a região conhecida como "Chifre da África".
Dos mistérios originados pela história incerta do Sabá, um dos maiores é a existência dessa rainha, cuja beleza e inteligência teriam feito o rei Salomão pedir-lhe em casamento. Tudo isso mantém uma áurea de interesse em torno da Etiópia, mesmo tendo já sido palco de descobertas muito importantes, como a de 1974: a ossada de Lucy, uma espécie ancestral dos humanos, o Australopithecus afarensis.