Grécia permitirá mergulho em naufrágio com mais de 2 mil anos

País é bastante restritivo com mergulhos, mas vai criar seu primeiro museu submerso em navio que afundou no século 5º a.C.

10 abr 2019
18h22
atualizado às 18h23
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Próximo à ilha grega de Alonissos há um notável naufrágio antigo: os restos de um grande navio de carga que modificaram a concepção dos arqueólogos sobre a construção dos barcos na Antiguidade. Agora, esse espetacular achado vai se tornar o primeiro naufrágio a que terão acesso tanto o público e os praticantes de mergulho.

Mergulhador sobre casco de naufrágio
Mergulhador sobre casco de naufrágio
Foto: iStock

O rico acervo submarino da Grécia se manteve oculto, fora dos limites para a maioria das pessoas e acessível a poucos — na maioria das vezes, apenas a arqueólogos. Isso porque o mergulho recreativo ficou banido do país, exceto em alguns lugares específicos, até 2005, por medo que os inúmeros tesouros esparramados no fundo do mar pudessem ser saqueados.

O acesso aos naufrágios, antigos ou não, segue proibido. Mas agora isso parece estar mudando gradualmente com um novo projeto para criar museus submarinos. Os mergulhos poderão percorrer certos navios submersos, e os que não mergulham poderão conhecê-los por meio de realidade virtual em centros de informação localizados em terra.

Navio naufragou no século 5º a.C.

O primeiro desses lugares é o naufrágio de Peristera, que recebeu o nome da ilha inabitada em frente a Alonissos, onde o navio foi descoberto no começo dos anos 1990. A embarcação estava carregadas com milhares de ânforas, provavelmente cheias de vinho, quando afundou no final do século 5º a.C.. Apenas a carga "sobreviveu", já que a madeira do barco se desfez há muito tempo.

Ainda assim, o local é espetacular. Milhares de ânforas, intactas em sua maioria, estão estendidas em camadas. Elas são habitadas por peixes, esponjas e outras criaturas que agregam cor e vida ao lugar. "É muito impressionante. Mesmo eu, que tenho trabalhado há anos com arqueologia submarina, fiqueo impressionado quando mergulhei pela primeira vez neste naufrágio", conta Dimitris Kourkoumelis, arqueólogo que lidera o projeto de preparação do local para os visitantes. "É diferente ver ânforas individuais em um museu de vê-las concentradas dessa maneira."

Mistérios

O naufrágio mantém alguns mistérios. Apenas uma pequena parte foi escavada, e especialistas ainda não descobriram como ou por que o navio afundou ou ainda que outros tesouros ele poderia estar carregando além das quase 4 mil ânforas. Há indicações que houve fogo a bordo, mas não está claro de que maneira isso contribuiu para a embarcação ir a pique. "Foi um ato de pirataria? Ele estaria com excesso de carga?", questiona Elpida Hadjidaki, a primeira arqueóloga a escavar o local. Estas perguntas seguem sem respostas.

O Peristera é o naior navio de seu tempo a ser encontrado e essa descoberta tem um significado gigantesco para os historiadores. "Até então, nós pensávamos que grandes navios que carregavam 1.500 ânforas e pesavam mais de 70 toneladas só foram construídos pelos romanos no século 1º a.C.", explica Hadjidaki. "E agora temos um navio do século 5º a.C. que carregava 4 mil ânforas e sabe-se Deus o que mais e tinha 126 toneladas." Ela diz estar radiante com a abertura para visitantes. "Por que deveríamos manter isso apenas para nós? Temos de dar conhecimento às pessoas."

O primeiro teste para tours guiados para o naufrágio, que está entre 22 a 28 metros de profundidade, foi feito no último fim de semana com um pequeno grupo de mergulhadores amadores e profissionais. Em terra, o grupo recebeu uma explicação com informações históricas e regras para o mergulho antes de percorrer um curto trecho de barco a partir do pequeno porto de Steni Valla, em Alonissos.

Novos testes de mergulho serão feitos neste verão (no Hemisfério Norte, a partir de junho), e a expectativa é que a área estará aberta aos turistas no início de 2021. Três outros navios no Golfo Pagasético também devem ser incluídos no projeto. /TRADUÇÃO DE ADRIANA MOREIRA

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Estadão
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