Pacote de R$ 20 milhões, jatinho, acesso ao gramado e exclusividade: como é a Copa do Mundo dos ultrarricos
Experiências VIP para a Copa envolvem transporte em jatinhos, hospedagem de luxo e acesso privilegiado, com valores milionários
A um mês da final da Copa do Mundo, marcada para 19 de julho, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, uma empresa especializada em serviços de concierge para clientes de altíssimo patrimônio colocou à venda uma experiência exclusiva para acompanhar a decisão do torneio.
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A oferta, segundo reportagem da BBC, foi lançada pela Knightsbridge Circle e apresentada como "a primeira do tipo na história do torneio". Disponível apenas para clientes convidados -- que precisam passar por um processo de seleção antes de serem aceitos --, o pacote incluía seis ingressos na primeira fila, exatamente na linha do meio-campo, além de acesso ao gramado durante a cerimônia de premiação, no instante em que a seleção campeã levantar a taça. O valor cobrado pelo conjunto da experiência era de US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões) para seis pessoas.
Segundo o presidente da empresa, Stuart McNeill, a procura foi imediata. "(O pacote) foi vendido para um de nossos membros menos de 24 horas depois de anunciado", afirmou à BBC News Brasil.
A Knightsbridge Circle está entre as companhias que apostam no mercado de luxo para atender clientes interessados em viver a Copa do Mundo com experiências exclusivas. A edição de 2026 é considerada histórica por ser realizada simultaneamente em três países, Estados Unidos, México e Canadá, e reunir um número recorde de 48 seleções. Ao todo, o torneio contará com 104 partidas distribuídas por 16 cidades.
Enquanto muitos torcedores passaram meses planejando a viagem e enfrentando desafios como o alto custo dos ingressos, gastos com deslocamento e até dificuldades para obter o visto americano, uma pequena parcela dos visitantes terá uma experiência completamente diferente. Para esse grupo, a chegada aos países-sede pode ocorrer em jatos particulares, os trajetos até os estádios podem ser feitos de helicóptero ou limusine e o acesso a áreas VIP é garantido, mesmo para quem decidiu viajar de última hora.
McNeill afirma que a atual Copa representa uma mudança no mercado de experiências de luxo ligadas ao futebol. "Trabalho com esse mercado (de luxo) há 22 anos, e a maior surpresa, para mim, é que nesta Copa, o dinheiro pode comprar praticamente qualquer coisa, o que é uma novidade (em comparação com as anteriores)", disse à BBC.
Os especialistas do setor evitam revelar a identidade dos clientes que buscam esse tipo de serviço. Entre eles estão celebridades, bilionários, fundadores de empresas, executivos da área de tecnologia e atletas de diferentes países, inclusive do Brasil. "Temos alguns clientes brasileiros", afirmou McNeill, destacando que a empresa mantém uma equipe em Miami que fala português.
O preço da exclusividade na Copa
As experiências voltadas ao público de altíssima renda durante a Copa do Mundo não se resumem a pacotes milionários. Os preços variam de acordo com fatores como tipo de ingresso, hospedagem, transporte, duração da viagem e nível de exclusividade dos serviços contratados.
Ainda assim, segundo a Knightsbridge Circle, muitos dos roteiros personalizados oferecidos pela empresa ultrapassam facilmente a marca de seis dígitos em dólar. As opções podem incluir deslocamentos em jatinhos particulares e helicópteros, recepção VIP em aeroportos, equipes de segurança privada e estadias em hotéis de luxo de redes como Four Seasons, Aman e Rosewood.
De acordo com Nicole Wallach, vice-presidente da divisão de lazer da Magma Global, especializada em concierge para viagens de luxo, os pacotes mais acessíveis custam entre US$ 25 mil e US$ 75 mil (cerca de R$ 125 mil a R$ 375 mil) para um casal. Nesse valor estão incluídos hospedagem cinco estrelas, ingressos para uma partida, passagens aéreas em classe executiva e transporte privativo.
Há, porém, clientes dispostos a investir quantias muito maiores em roteiros que passam por várias cidades-sede e se estendem por diversos dias. Em alguns casos, a Copa é apenas uma etapa de uma viagem mais ampla. "Tenho clientes que vão assistir a jogos em Los Angeles e depois pegar um voo para passar algumas noites no Havaí", afirmou Wallach à BBC News Brasil.
Para o fim de semana da decisão do torneio, combinado com hospedagem de alto padrão em Nova York, Wallach estima que os gastos possam ultrapassar facilmente os US$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil).
Segundo Gina Gabbard, diretora de Estratégia da First in Service Travel, agência nova-iorquina integrante da rede global de turismo de luxo Virtuoso, as alternativas para os torcedores mais ricos vão muito além dos ingressos premium. "Podem incluir hospedagem em hotéis de luxo, transporte privativo na cidade-sede, reservas em restaurantes sofisticados, passeios e outras atividades e, para alguns clientes, encontros exclusivos com os jogadores", explicou.
Os ingressos VIP, de acordo com Gabbard, podem custar a partir de US$ 5 mil (cerca de R$ 25 mil) por pessoa, dependendo da partida. Já os pacotes completos começam na faixa dos US$ 50 mil (aproximadamente R$ 250 mil) e podem alcançar várias centenas de milhares de dólares quando envolvem múltiplos jogos e deslocamentos entre diferentes cidades.
Exclusividade vale mais que o preço
Para os clientes que investem em experiências de luxo durante a Copa do Mundo, o principal atrativo não é necessariamente o valor gasto, mas a conveniência, a privacidade e o acesso a serviços exclusivos. Segundo Wallach, esse público busca uma experiência personalizada e livre de preocupações.
"São viajantes que costumam voar em jatos particulares e se hospedar nas suítes mais luxuosas", afirma. "Eles viajam acompanhados de sua própria equipe e realmente esperam uma experiência altamente personalizada quando se trata de um evento dessa magnitude."
Nem todos, porém, utilizam jatinhos. Alguns optam por voos comerciais em primeira classe ou executiva. Quando a demanda por helicópteros supera a oferta disponível, o transporte costuma ser feito em carros de luxo com motorista particular.
Mais do que lugares privilegiados no estádio, esses torcedores procuram exclusividade. "Nem todos querem sentar na primeira fila. Para muitos, a prioridade é a privacidade e o acesso a serviços exclusivos. Eles estão em busca de uma experiência VIP completa", ressalta Wallach. Isso inclui entradas reservadas, lounges privativos e serviços de gastronomia premium, evitando filas e aglomerações.
Para Stuart McNeill, presidente da Knightsbridge Circle, o objetivo é garantir conforto absoluto. "Eles querem exclusividade, não querem ficar esperando pelos outros. É um verdadeiro tratamento de tapete vermelho, e eles estão dispostos a pagar por isso", diz à BBC.
Outro diferencial é a forma como essas viagens são planejadas. Enquanto torcedores comuns costumam organizar tudo com meses de antecedência, muitos clientes de alto patrimônio tomam decisões de última hora. "Eles valorizam seu tempo muito mais do que o dinheiro, e várias vezes tomam decisões de última hora", afirma Wallach.
Segundo McNeill, a procura pelos serviços aumentou conforme a competição avançou. "Na verdade, está apenas começando para nós, porque os membros que atendemos costumam fechar os planos de última hora", afirma. "Gostam de ver como está o desempenho de sua seleção [antes de decidir]. Por exemplo, se o Brasil chegar à semifinal ou à final, vão entrar em um avião e ir para onde quer que o jogo seja realizado."
Além dos jogos, há demanda por experiências exclusivas com ex-jogadores e até encontros com atletas em atividade, geralmente vinculados a doações para projetos sociais apoiados pelos próprios esportistas.
Para quem perdeu o pacote de US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões) vendido pela Knightsbridge Circle para a final da Copa, ainda existe uma alternativa: dois assentos exclusivos à beira do gramado. O valor, segundo McNeill, é de "apenas" US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 7,5 milhões) por pessoa.
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