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De luz sobrenatural a apocalipse: conheça Chapada dos Veadeiros

As boas vibrações que emanam do coração do Planalto Central rendem causos e fama de centro místico à região, que também atrai ecoturistas

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Os guias da goiana Chapada dos Veadeiros, a cerca de três horas de carro de Brasília (DF), adoram contar histórias. Uma delas diz que, nos anos de 1960, cientistas da Nasa (a agência espacial norte-americana) teriam ligado para Brasília perguntando o que havia exatamente no solo de uma certa região ao norte de Goiás – justamente onde fica a chapada –, pois ali havia um brilho impressionante, registrado por fotos de satélite. Chegaram à conclusão de que o brilho vinha do cristal de quartzo, já que toda a vizinhança está assentada sobre uma imensa placa desse minério. Ele é tão abundante por lá que pode ser visto à flor da terra, em pedrinhas translúcidas reluzentes.

Se tal foto realmente existiu, não se sabe. Ao menos em Alto Paraíso, a “capital” e principal acesso para a Chapada dos Veadeiros, a 230 km da capital federal, ninguém nunca viu sinal dessa imagem. É mais uma das muitas histórias sem comprovação que correm soltas por lá, assim como as luzes misteriosas que vez ou outra são vistas no céu estrelado da região.

A única certeza é que o cristal foi responsável pela “descoberta” do destino que, primeiramente, atraiu garimpeiros. O quartzo, além de ser usado para confeccionar joias, tem valor comercial para a indústria, por causa da alta condutividade elétrica. E serve até como matéria-prima para produzir peças de computador. 

Mas, com o desenvolvimento de um processo para produzir quartzo artificialmente, o garimpo entrou em decadência a partir dos anos de 1970. Nessa mesma época, chegaram os hippies e os primeiros esotéricos, encantados pela energia não só do cristal, mas também do paralelo 14, o mesmo que corta Machu Picchu, no Peru. Algumas correntes míticas acreditam se tratar de um paralelo dotado de poderes sobrenaturais inexplicáveis. Para eles, essa conexão geográfica entre a cidade sagrada dos incas e a Chapada dos Veadeiros não podia ser mera coincidência.

Já na década de 1990, começaram a chegar os ecoturistas interessados em saber se o boato sobre cânions, cachoeiras monumentais, rios de água cristalina e lindas veredas coloridas pelas flores do cerrado era mesmo verdadeiro. E descobriram que, nesse caso, não se tratava de invenção: ali, no umbigo do Planalto Central, havia realmente paisagens esplendorosas.

<p>A Cachoeira da Muralha, uma das quatro quedas que compõem as Cataratas do Rio do Couro, que jorram de quase 100 metros de altura</p>
A Cachoeira da Muralha, uma das quatro quedas que compõem as Cataratas do Rio do Couro, que jorram de quase 100 metros de altura
Foto: Tales Azzi / Editora Europa

Outro desses causos fantásticos em torno da vizinhança fez a fama de Veadeiros ultrapassar fronteiras e rodar o globo. Pouco antes da virada do milênio, em 1999, falava-se por lá que o mundo beirava o fim e o único lugar a ser poupado do apocalipse seria justamente esse cantinho no norte goiano.

A teoria era de uma comunidade religiosa que existia em Alto Paraíso, os Cavaleiros de Maytrea, que acreditavam que o mar se agitaria e provocaria um tsunami global. A chapada, por estar no ponto mais alto do Planalto Central, cerca de 1.700 metros acima do nível do mar, e bem no meio do continente sul-americano, resistiria incólume à catástrofe. Resultado: um batalhão de malucos entrou na onda e seguiu para lá em busca da salvação.

O mundo, como se sabe, não acabou, e muitos voltaram para casa desiludidos, não por se decepcionarem com a beleza do lugar, mas pela continuidade do planeta. Outros, apesar do fim das ameaças, ficaram de vez, atraídos pelas boas vibrações e pela paisagem especial e com água por toda parte.  

Veadeiros, enfim, consagrou-se como um dos mais belos e interessantes pontos do Centro-Oeste, um lugar que mistura misticismo com natureza, esoterismo com ecologia, para onde todos os que curtem o brilho de um cristal ou a poeira de uma trilha – ou as duas coisas juntas – gostariam de ir.

Esse trecho foi retirado da revista Viaje Mais, seção Brasil, edição 143.

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