Tratamento do diabetes tipo 2 passa por mudanças no Brasil; confira novas orientações
Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou diretrizes e reforçou a necessidade de acompanhar outros fatores de saúde além da glicose
A Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou as diretrizes para o diabetes tipo 2, ampliando o foco além da glicose. O novo protocolo prioriza a perda de peso contínua e a prevenção de doenças renais e cardiovasculares, combinando hábitos saudáveis e medicamentos modernos. O documento também reforça o cuidado no planejamento reprodutivo feminino, recomendando controle glicêmico rigoroso antes da gestação para evitar complicações e proteger a saúde da mãe e do feto.
O tratamento do diabetes tipo 2 ganhou uma abordagem mais ampla no Brasil. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) incluiu o controle do excesso de peso entre os principais objetivos do acompanhamento. Além disso, a diretriz também reforça a prevenção de problemas cardiovasculares e renais.
Essa mudança amplia a forma de enxergar a doença, já que a diabetes não se limita ao aumento da glicose no sangue. Com o tempo, a condição pode provocar alterações em diferentes órgãos e elevar o risco de complicações.
Peso no centro do tratamento do diabetes
A nova orientação define que reduzir o excesso de gordura corporal deve ser uma meta contínua no cuidado com o diabetes tipo 2. Para isso, entram em cena hábitos como alimentação equilibrada, prática de exercícios, sono adequado e controle do estresse.
Em alguns casos, médicos podem indicar medicamentos que atuam nos receptores de GLP-1 ou que combinam GLP-1 e GIP para ajudar na perda de peso. No entanto, cada decisão depende da avaliação individual do paciente. Em entrevista ao 'O Globo', o endocrinologista Marcello Bertoluci, coordenador das Diretrizes da SBD, destacou essa mudança de foco no acompanhamento.
"Saímos do foco de apenas controlar a glicose para também olharmos para o controle do peso e riscos para os rins e coração. O estilo de vida saudável é fundamental, mas a ideia é também indicar medicamentos que possam ajudar no controle da obesidade e do diabetes, além de prevenir outras complicações, como o infarto, a insuficiência cardíaca e a doença renal associadas ao próprio diabetes", afirmou.
Atenção especial à saúde da mulher
As diretrizes também trazem recomendações para o planejamento da gravidez. Mulheres com diabetes e hemoglobina glicada acima de nove devem adiar as tentativas de engravidar até alcançar um melhor controle da glicemia. Ou seja, abaixo de seis. O objetivo é reduzir riscos para a mãe e para o bebê. Isso porque, segundo especialistas, a condição aumenta as chances de malformações fetais e outras complicações gestacionais.
Além disso, mulheres com diabetes tipo 1 que planejam engravidar e não conseguem atingir as metas de controle podem ter indicação de sistemas avançados de administração de insulina. Já medicamentos contraindicados durante a gestação devem ser substituídos por alternativas consideradas seguras antes da gravidez.
Assim, as novas recomendações reforçam uma ideia central: cuidar do diabetes significa acompanhar diferentes aspectos da saúde ao longo do tempo. O tratamento deve ser individualizado e definido com orientação da equipe médica
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