Transtornos alimentares afetam mais jovens de baixa renda, indica estudo
Revisão de 51 pesquisas aponta maior probabilidade de sintomas alimentares em famílias com menor escolaridade e renda
Estudo internacional aponta que adolescentes de famílias com menor renda e escolaridade têm maior risco de desenvolver transtornos alimentares, desafiando o estereótipo de que são prevalentes em classes mais altas.
O mito de que transtornos alimentares são problemas exclusivos de famílias ricas está sendo derrubado por uma nova pesquisa internacional. Publicado no International Journal of Eating Disorders nesta terça-feira, 8, o estudo aponta que jovens de lares com menor renda e escolaridade correm, na verdade, maior risco de desenvolver sintomas como anorexia e compulsão alimentar.
A descoberta desafia profissionais de saúde a repensarem seus critérios de triagem para não negligenciar populações vulneráveis. A pesquisa foi co-liderada pela University College London (UCL), em parceria com o Hospital Universitário de Copenhague. O trabalho revisou dados de 51 estudos que envolveram 26.174 adolescentes de países da América do Norte, Europa e Austrália.
O que revela a pesquisa sobre renda e escolaridade?
A renda familiar apresentou a ligação mais consistente entre os dados levantados pela revisão. Cerca de dois terços dos estudos analisados constataram que adolescentes de lares com menor renda têm maior probabilidade de apresentar sintomas de transtornos alimentares, enquanto nenhum estudo encontrou o cenário inverso.
A escolaridade dos pais também mostrou relação direta com os índices observados. Jovens cujos responsáveis possuem menor nível educacional relataram maior incidência de comportamentos alimentares desordenados em comparação com aqueles cujos pais concluíram o ensino superior.
Adolescentes cujos pais não cursaram ensino superior têm cerca de 25% mais probabilidade de relatar sintomas de transtornos alimentares do que aqueles cujos pais frequentaram a universidade.
Quais sintomas foram analisados no estudo?
Além de diagnósticos clínicos de anorexia, bulimia e transtorno de compulsão alimentar, a análise contemplou sinais precoces de comportamento desordenado. Foram contabilizados fatores como restrição severa de comida, prática de jejum, percepção corporal negativa e sensação de pressão social para emagrecer.
Segundo a pesquisadora Nora Trompeter, do UCL Great Ormond Street Institute of Child Health, tratar a condição como exclusividade de classes abastadas gera diagnósticos tardios. "Os transtornos alimentares são frequentemente estereotipados como um problema de riqueza, mas esta revisão mostra que esse não é o quadro completo", afirmou ela.
Como os profissionais de saúde devem agir?
Os autores da investigação recomendam que médicos, profissionais de saúde e conselheiros escolares ampliem os critérios de triagem. A meta é identificar precocemente sinais de alerta em estudantes de diferentes contextos socioeconômicos.
A equipe do estudo pontua que fatores como privação do bairro e dependência de benefícios sociais apresentaram resultados variáveis entre as pesquisas analisadas. O levantamento contou com financiamento da UK Research and Innovation e da Fundação Novo Nordisk.

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