Tonturas e dores de cabeça podem indicar condições neurológicas sérias
Especialista destaca a importância do diagnóstico precoce para prevenir AVC e outras doenças.
Tonturas constantes, formigamentos e dores de cabeça podem ser sinais de condições neurológicas graves, como AVC ou aneurisma, alerta o neurocirurgião Orlando Maia. O especialista destaca a importância de reconhecer sintomas, fazer exames e buscar atendimento médico para diagnóstico precoce e prevenção de complicações. Alta pressão arterial também é um fator de risco importante. 🧠
Sentir tontura constante não é normal; sintoma pode indicar condição neurológica grave, alerta médico
Sintomas como tontura, sensação de formigamento e dores de cabeça frequentes podem parecer inofensivos no dia a dia. No entanto, em alguns casos, eles são sinais de alerta do cérebro e podem indicar condições neurológicas graves. Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, a atenção a esses sinais e a realização de exames são fundamentais para um diagnóstico precoce e para evitar complicações mais sérias. O especialista relacionou cinco ocorrências que merecem investigação:
1 - Tontura
Tonturas e vertigens são sintomas comuns, mas não devem ser ignorados, especialmente quando persistem ou se repetem. De acordo com Orlando Maia, esses sinais podem estar associados a disfunções neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC) e esclerose múltipla.
"A vertigem, que é a sensação de que o ambiente está girando, pode se relacionar ao sistema vestibular. Já a tontura mais generalizada pode ter origem neurológica, cardiovascular ou metabólica", explica o médico. Sistema vestibular é uma parte do corpo que controla o equilíbrio. Fica no ouvido interno.
2 - Sensação de formigamento
A sensação de que o corpo está "formigando" geralmente está relacionada à compressão de nervos. Apesar de muitas vezes ser algo passageiro, pode sinalizar condições mais graves. Na linguagem médica, o formigamento tem outro nome: parestesia.
"Esse é um dos principais sintomas do AVC, especialmente quando ocorre em um dos lados do corpo", alerta o neurologista. Outros sinais são dor de cabeça intensa, confusão mental e alterações na fala, visão e coordenação motora. Diante desse quadro, a recomendação é procurar imediatamente atendimento médico.
3 - Visão turva
Alterações visuais, como visão turva, queda repentina da pálpebra ou perda parcial da visão, podem parecer isoladas, mas exigem atenção. De acordo com o médico Orlando Maia, esses sintomas podem indicar um aneurisma cerebral prestes a se romper.
"O aneurisma é uma dilatação anormal em uma artéria do cérebro que pode pressionar nervos cranianos antes de causar uma hemorragia", explica ele. Além disso, o aumento da pressão intracraniana — causado por tumores ou hidrocefalia — pode comprimir o nervo óptico, levando ao inchaço do mesmo (papiledema).
Episódios temporários de visão embaçada também podem ser sinais de uma condição neurológica conhecida como enxaqueca com aura ou até de um ataque isquêmico transitório (AIT), considerado um alerta para um possível AVC.
4 - Dor de cabeça persistente
Também é necessário investigar dores de cabeça frequentes ou intensas. Em alguns casos, elas podem acusar doenças vasculares, como o aneurisma cerebral. "O aneurisma pode permanecer assintomático por anos, mas, quando se manifesta, costuma provocar dor súbita e intensa, além de sintomas como náuseas, sensibilidade à luz, visão turva, queda da pálpebra e dormência facial", afirma o especialista.
Quando ocorre a ruptura, o quadro é grave e exige atendimento emergencial imediato. Por isso, exames de imagem são essenciais para identificar precocemente alterações e prevenir danos irreversíveis.
5 - Esquecimento frequente
Falhas pontuais de memória são comuns no dia a dia. No entanto, esquecimentos frequentes sugerem alterações cognitivas. Desse modo, repetir perguntas, perder compromissos com frequência ou se desorientar em locais conhecidos exige investigação.
Segundo o neurologista, esses sintomas podem apontar demência, Alzheimer ou até AVCs silenciosos. "O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento adequado e preservar a qualidade de vida", ressalta.
Hipertensão como fator de risco
Além dos sintomas relacionados, o especialista chama a atenção para a pressão arterial alta, um dos principais fatores de risco para o AVC. "Muitas vezes silenciosa, a hipertensão pode levar tanto ao AVC isquêmico, causado pela obstrução de vasos, quanto ao hemorrágico, provocado pelo rompimento arterial", alerta. A recomendação é clara: sintomas persistentes ou incomuns devem ser avaliados por um especialista.
Edição: Fernanda Villas Bôas
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