Supercélula causou tornado no RS; meteorologista explica o fenômeno
Evento climático, responsável por provocar chuvas intensas e rajadas de vento, atingiu três cidades no Noroeste do estado; veja registros do momento
Um tornado atingiu cidades do Rio Grande do Sul (RS) no início da noite de terça-feira (28). O fenômeno passou pelos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste do estado, provocando destelhamentos, queda de árvores e postes.
Ao menos sete pessoas ficaram feridas, e duas casas foram destruídas. De acordo com a Defesa Civil, a ocorrência esteve ligada à passagem de uma supercélula, um dos tipos mais intensos de tempestade. "Com base nos dados de radar, o tornado ocorreu em torno de 18h25, associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória", afirmou em comunicado.
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O que é uma supercélula?
A supercélula é uma tempestade organizada e sua principal característica é a capacidade de manter uma estrutura estável por várias horas. Isso acontece porque a rotação da corrente ascendente ajuda a alimentar continuamente a tempestade, permitindo que ela se intensifique e percorra longas distâncias sem perder força.
Segundo o meteorologista Luiz F. Nachtigall, esse é o tipo de tempestade com maior potencial para produzir fenômenos severos. "Supercélulas comumente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, e em algumas ocasiões tornados", explicou em uma publicação no site 'MetSul'. Além disso, elas também costumam provocar chuva volumosa e intensa atividade elétrica.
Conforme explica a Climatempo, quando o ambiente reúne muita umidade, forte instabilidade e ventos que mudam de direção e velocidade conforme a altitude, a rotação da tempestade pode se concentrar em um único ponto. É justamente esse processo que aumenta o risco de formação de um tornado, embora nem toda supercélula evolua para esse tipo de fenômeno.
Como uma supercélula pode formar um tornado?
Isso ocorre quando essa rotação consegue se estender da base da nuvem até o solo, surge o funil característico do tornado. Segundo os especialistas, é nesse momento que o fenômeno passa a ser classificado como tornado e pode provocar ventos extremamente intensos, como aconteceu no RS.
"Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices", esclareceu Nachtigall.
Devido ao movimento giratório, os danos costumam seguir um padrão diferente de outros temporais. Árvores, postes e estruturas podem ser retorcidos, enquanto a destruição fica concentrada em uma faixa contínua, acompanhando o trajeto percorrido pelo funil.
Rio Grande do Sul segue em alerta
Após a passagem do tornado, o tempo continua instável no estado nesta quarta-feira (29). A atuação de uma frente fria mantém o risco elevado para chuva intensa, descargas elétricas, granizo e ventos fortes em diversas regiões.
Os maiores riscos se concentram no Norte, Noroeste, Nordeste, Vales, Região Metropolitana de Porto Alegre, Serra e Litoral Norte. Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia mantém alertas de grande perigo para tempestades. A Defesa Civil também aponta o risco de inundações em rios como o Taquari e o Caí.
Ao longo da tarde, a tendência é que a instabilidade diminua gradualmente com a chegada de uma massa de ar frio. Ainda assim, a população deve permanecer atenta aos avisos dos órgãos oficiais, já que rajadas intensas e novos temporais ainda podem ocorrer em áreas isoladas.
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