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Suicídio entre jovens cresce nas Américas; veja como escola pode ajudar

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialista explica quais mudanças de comportamento merecem atenção dos professores, que, devido à convivência diária, podem ser os primeiros a perceber sinais de sofrimento emocional

9 set 2026 - 18h40
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Resumo
O suicídio entre jovens de 10 a 24 anos cresceu 38% nas Américas em duas décadas, tornando-se a terceira causa de morte nessa faixa etária. Diante do alerta da OPAS, educadores exercem papel crucial na identificação de sinais de sofrimento psíquico, como isolamento, queda de rendimento e alterações de humor. Sem assumir o papel de terapeutas, as escolas devem oferecer acolhimento, combater o bullying e encaminhar casos de risco aos serviços de saúde pública, como UBSs e CAPSi, prevenindo tragédias.

Uma mudança repentina de comportamento pode parecer apenas uma fase difícil da adolescência. Entretanto, quando sinais como isolamento, irritabilidade e queda no rendimento persistem ou aparecem juntos, eles merecem atenção. Nesse cenário, professores podem ocupar uma posição importante na identificação do sofrimento emocional, já que convivem diariamente com os jovens.

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialista explica quais mudanças de comportamento merecem atenção dos professores
No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialista explica quais mudanças de comportamento merecem atenção dos professores
Foto: Aflo Images/アフロ(Aflo) / Bons Fluidos

A discussão ganha ainda mais importância no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro. Dados publicados no periódico científico The Lancet Regional Health - Americas mostram que o problema cresceu entre adolescentes e jovens adultos nas Américas nas últimas duas décadas.

Em 2021, foram registradas 18.157 mortes por suicídio entre jovens na região. Além disso, o crescimento mais acentuado ocorreu entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O suicídio permanece como a terceira principal causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas.

"O fato de que a taxa de suicídio entre os jovens tenha aumentado 38% em pouco mais de duas décadas — em comparação com um aumento de 17% na população geral — é um sinal de alerta", afirmou Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em comunicado. "Devemos fortalecer as ações de prevenção, especialmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens, e garantir que recebam apoio a tempo", acrescentou.

Quais sinais professores podem observar?

Mudanças isoladas nem sempre indicam um problema de saúde mental. A atenção deve aumentar, sobretudo, quando determinados comportamentos persistem ou surgem em conjunto. Uma cartilha sobre saúde mental de adolescentes elaborada pelo Instituto Vita Alere orienta profissionais da educação a observar sinais como:

  • Alterações repentinas de humor, irritabilidade ou apatia;
  • Afastamento dos amigos e maior isolamento;
  • Piora inesperada no desempenho escolar ou abandono de atividades;
  • Mudanças perceptíveis no sono, alimentação ou autocuidado;
  • Comentários frequentes relacionados à desesperança, morte ou vontade de desaparecer;
  • Comportamentos que colocam o adolescente em risco, incluindo autolesão.

Como agir para prevenir o suicídio?

Perceber os sinais, contudo, não significa assumir a função de um profissional de saúde mental. Karen Scavacini, doutora em psicologia pela USP, ressalta que existem limites para a atuação dentro da escola. "É importante entender quais são os limites éticos e técnicos da atuação dos educadores, destacando que professores não devem realizar diagnósticos nem guardar segredos em situações de risco", explica.

Por isso, o acolhimento começa pela escuta. O educador pode oferecer espaço para que o adolescente fale sobre o que está vivendo, sem minimizar seus sentimentos. Ademais, a escola pode atuar na construção de ambientes seguros e no enfrentamento de situações como bullying, discriminação e violência.

Quando houver sinais de risco, então, o próximo passo é buscar ajuda adequada. Entre os caminhos indicados estão as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), além dos serviços de emergência em situações que exigem atendimento imediato.

"Muitos adolescentes não chegam aos serviços de saúde, mas chegam aos professores. A cartilha foi criada para oferecer linguagem, sinais, limites de atuação e rotas de cuidado, sem sobrecarregar os educadores. Uma escuta atenta, a validação do sofrimento e um encaminhamento responsável podem mudar trajetórias e reduzir riscos", conclui.

Bons Fluidos
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